A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, garantiu um terceiro mandato consecutivo à frente do Governo ao formar uma coligação minoritária de quatro partidos que promete combinar redução de impostos para empresas e trabalhadores com um vasto pacote de medidas sociais para responder ao aumento do custo de vida.O novo executivo, apresentado esta semana após dois meses de negociações que se seguiram às eleições de Março, reúne os sociais-democratas de Frederiksen, os Moderados, de centro-direita, o Partido Social Liberal e a Esquerda Verde/Partido Popular Socialista, ambos de esquerda.Entre as principais medidas anunciadas está a redução gradual da taxa de imposto sobre as empresas de 22% para 19% ao longo dos próximos três anos. O Governo pretende também eliminar os escalões de IRS aplicáveis aos rendimentos mais elevados, numa tentativa de reforçar a competitividade da economia dinamarquesa.“Num momento em que outros países erguem barreiras comerciais, a concorrência global se intensifica e os preços da energia permanecem elevados, é necessário fazer mais para apoiar as empresas dinamarquesas”, afirmou Frederiksen na apresentação do programa governamental.Ao mesmo tempo, o novo executivo aposta num conjunto de medidas destinadas a aliviar a pressão sobre os orçamentos familiares. O IVA sobre os alimentos será reduzido para metade, enquanto frutas e vegetais ficarão isentos deste imposto. O Governo prevê ainda tornar os cuidados dentários gratuitos para uma parte significativa da população, com o objectivo de universalizar esse benefício na próxima década.Outra promessa passa pela gratuitidade dos transportes públicos para todos os jovens até aos 22 anos, bem como apoios adicionais para pensionistas com menores rendimentos. O executivo compromete-se ainda a restaurar um feriado nacional que tinha sido eliminado durante o anterior mandato de Frederiksen para financiar o aumento das despesas em defesa.Resistir aos EUA na GronelândiaNa política externa, o líder dos Moderados, Lars Løkke Rasmussen, mantém-se no novo Governo como ministro dos Negócios Estrangeiros e continuará a liderar as negociações com os Estados Unidos sobre a Gronelândia. O território autónomo dinamarquês tornou-se um dos principais alvos da política externa norte-americana desde que o Presidente Donald Trump voltou a defender um maior controlo dos EUA sobre a ilha estratégica do Árctico.Mette Frederiksen garantiu que continuará a defender a soberania e a integridade territorial do reino dinamarquês, ao mesmo tempo que prosseguem as conversações diplomáticas com Washington e a NATO. Entre os cenários em discussão está a possibilidade de reforço da presença militar norte-americana na Gronelândia.Frederiksen, uma das líderes europeias há mais tempo em funções, reforçou igualmente o compromisso com a política migratória restritiva da Dinamarca, prometendo acelerar a expulsão de estrangeiros ilegais no país e manter os planos para criar centros de acolhimento de requerentes de asilo fora da União Europeia.Apesar de regressar ao poder com uma coligação mais à esquerda do que a anterior, o novo executivo dispõe de apenas 82 dos 179 lugares no Parlamento e dependerá do apoio de outros partidos para garantir uma maioria estável. Analistas políticos admitem, por isso, que a sobrevivência da coligação até ao final da legislatura poderá revelar-se um desafio.
Dinamarca corta impostos às empresas e baixa IVA dos alimentos
Terceiro mandato de Mette Frederiksen arranca com uma mistura rara de descidas de impostos e reforço do Estado social. Novo Governo dinamarquês promete resistir à pressão dos EUA sobre a Gronelândia.











