Pela primeira vez, uma Copa do Mundo terá mais de 1.000 jogadores. Com a ampliação do torneio para 48 seleções na edição deste ano, multiplicado por 26 nomes por seleção (três a mais em relação ao Mundial de 2018), ao todo teremos 1.248 atletas no torneio, que começa no dia 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México. O prazo para as seleções enviarem as convocações se encerrou no dia 1º de junho e as listas foram oficializadas pela Fifa. O GLOBO fez um levantamento com os dados e estatísticas de todos os atletas presentes nas convocações finais, com recorte por continente, país, liga, clubes, idade e altura. Vale lembrar que ainda são permitidos cortes com substituição em razão de lesões ou problemas médicos até 24 horas antes da estreia de cada seleção. Portanto, até dia 16 de junho, quando as últimas equipes estreiam na competição, é possível que algumas mudanças ainda ocorram. Onde atuam os jogadores Raio-x de todos os jogadores convocados para a Copa do Mundo — Foto: Editoria de Arte A força econômica do futebol europeu se reflete nos números. Quase 70% dos jogadores atuam no Velho Continente (849 jogadores). Não coincidentemente, o top 5 dos países onde mais atuam atletas é formado pelas cinco principais ligas do futebol europeu (Inglaterra, Alemanha, França, Espanha e Itália, nesta ordem no ranking). O futebol inglês é o centro que mais fornece jogadores. Quase 20% dos convocados (200) atuam na Inglaterra, sendo 161 na Premier League. Somente a segunda divisão inglesa, a EFL Championship, por exemplo, já tem mais representantes na Copa que o Campeonato Brasileiro (36 x 32). Há ainda cinco jogadores da League One (terceira divisão inglesa) e um da National League (quinta divisão). A Série A do Brasileirão terá seu recorde de representantes nesta edição, 32, contra 27 do Mundial de 1974. Mesmo assim, fica fora do top 10, em 11º. As ligas sul-americanas, aliás, somam apenas 63 convocados. Da primeira divisão argentina, 17 jogadores foram chamados. O primeiro país fora da Europa a aparecer na lista é a Arábia Saudita, com 47 atletas, impulsionada pelo poderoso investimento do Fundo Soberano Saudita (PIF) nos clubes locais. Clubes com mais convocados Dentre os 449 clubes com convocados para a Copa de 2026, o Manchester City é o que terá o maior número de representantes. Ao todo, 19 atletas do time inglês foram chamados para o Mundial. A equipe terá jogadores em 12 seleções: Inglaterra, Portugal, Croácia, Holanda, Argélia, Bélgica, Egito, Espanha, França, Gana, Noruega e Uzbequistão. Clubes com mais representantes na Copa do Mundo — Foto: Editoria de Arte Com o número, o Manchester City volta a ter o recorde de convocados para uma Copa do Mundo. No Mundial do Catar de 2022, o Bayern de Munique, com 17 atletas, havia batido a marca que pertencia ao clube inglês, que em 2018, na Rússia, teve 16 convocados. Com 12 convocados, o Al-Hilal, da Arábia Saudita, aparece em sexto na lista e é o clube de fora da Europa com mais jogadores chamados para a Copa do Mundo. O clube conta com Bono (Marrocos); Darwin Núñez (Uruguai); Théo Hernández (França); Kalidou Koulibaly (Senegal); Rúben Neves (Portugal); além de Hassan Tambakti, Ali Lajami, Moteb Al-Harbi, Nasser Al-Dawsari, Mohamed Kanno, Sultan Mandash e Salem Al-Dawsari (Arábia Saudita). Dos times brasileiros, o Flamengo é quem aparece mais bem colocado: o rubro-negro está na 18ª colocação, com nove jogadores no Mundial. Os representantes do Flamengo na Copa são: Alex Sandro, Danilo, Léo Pereira e Lucas Paquetá (Brasil), Plata (Equador), Carrascal (Colômbia), Arrascaeta, Varela e De la Cruz (Uruguai). O número de jogadores coloca o time brasileiro à frente de clubes como Chelsea, Tottenham e Inter de Milão. Clubes do próprio país Jogadores convocados para a Copa que atuam em times do próprio país — Foto: Editoria de Arte No ranking de seleções com mais jogadores do próprio país, um alto número pode representar tanto força da liga nacional, casos de Inglaterra (21 jogadores) e Alemanha (19), quanto nível baixo dos atletas para se colocar em ligas mais fortes, como o caso do Catar (25). A Arábia Saudita é um caso a parte, possui uma liga economicamente forte atualmente, com clubes que atraem estrelas como Cristiano Ronaldo, Benzema e cia., mas que possuem elencos desequilibrados. Na outra ponta, sete seleções não tiveram nenhum jogador de times do próprio país. Os motivos variam. Países que foram colônias no passado possuem muitos jogadores com dupla nacionalidade, como Curaçao. O caso do Uruguai chama a atenção. O país vizinho se tornou expoente de exportação de atletas jovens para Europa e Brasil, ao mesmo tempo que vive um enfraquecimento dos clubes Com sete convocados do Brasileirão, quatro do Flamengo (Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Paquetá), um do Botafogo (Danilo Santos), um do Grêmio (Weverton) e um do Santos (Neymar), o Brasil fica em 18º lugar no ranking de jogadores que atuam em clubes do próprio país. Médias de idade das seleções da Copa do Mundo — Foto: Editoria de Arte A Costa do Marfim (26,65) é a seleção com a menor média de idade do Mundial. Marrocos (26,37), adversário do Brasil na primeira fase, e Espanha (26,72) chegam rejuvenescidas a este mundial. Já a seleção brasileira tem a sétima maior média da competição (29,18). As seleções sul-americanas, aliás, se destacam entre as mais "velhas" do torneio: Colômbia (30,06), Argentina (29,03), Uruguai (28,72) e Paraguai (29,01) aparecem entre as doze de maior média. Os mais novos e os mais velhos da Copa Jogadores mais jovens e mais velhos da Copa do Mundo 2026 — Foto: Editoria de Arte Entre os 1.248 jogadores inscritos para a Copa do Mundo, apenas um menor de 18 anos disputará a competição: Gilberto Mora, do México. Aos 17 anos, o meia do Tijuana é considerado uma grande joia em seu país e será o atleta mais jovem a jogar o Mundial deste ano. Mora lidera a lista dos mais jovens desta Copa, seguido de outros 11 atletas que terão 18 anos quando a bola rolar para o primeiro jogo da competição. O principal nome é Lamine Yamal, astro do Barcelona e da Espanha. Por outro lado, o jogador mais velho da competição será o goleiro Craig Gordon, da Escócia, que irá disputar sua primeira Copa do Mundo aos 43 anos. Provável titular da equipe, ele deverá enfrentar o Brasil na terceira rodada do Grupo C. O Mundial 2026, aliás, terá o recorde de atletas com 40 anos ou mais em uma mesma edição: serão oito neste ano, marca que iguala o número total da história do torneio. Antes disso, somente oito atletas disputaram a Copa nesta faixa etária desde 1930. Os principais quarentões são Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa, que irão para a sexta Copa do Mundo cada (recordistas ao lado do ainda trintão Messi), e Luka Modric e Manuel Neuer, que chegam ao quinto mundial. Dos oito atletas na faixa dos 40, cinco são goleiros (Gordon, Ochoa, Neuer, Vozinha e Muslera) e dois são estreantes em Copas (Gordon e Vozinha). O mais alto e o mais baixo A bola aérea é sempre uma forte arma de muitas seleções. E as equipes que podem usar e abusar desse tipo de jogadas na competição são Bósnia e Noruega, com 1,872 m de média de altura. O Brasil, apesar de ter o elenco mais alto de sua história, é apenas a 23ª mais alta da Copa, com uma média de 1,828m. Já a seleção mais baixa é a do Panamá, com média de 1,784m. O jogador mais alto da Copa do Mundo é, claro, um goleiro: Florian Wiegele, da Áustria, com 2,05m. E já que a Venezuela de Soteldo não se classificou, o "troféu" de mais baixo ficou com Cesar Yanis, do Panamá, com 1,60m. *Levantamento feito por: Arthur Falcão, Breno Angrisani, Davi Ferreira, Felipe Siqueira, João Pedro Fragoso, Leonardo Siqueira, Sharon Prais e Vitor Seta, do O GLOBO. Coordenação: Felipe Siqueira.
Raio-X dos convocados: ligas inglesas dominam, com 2ª divisão à frente de Brasileirão em nº de jogadores na Copa
Futebol europeu conta com quase 70% dos jogadores do Mundial; Brasileirão é 11ª liga que mais fornece atletas; torneio terá oito "quarentões" e apenas um "menor de idade"
Copa 2026 terá 1.248 atletas em 48 seleções (primeira >1 mil); 200 de ligas inglesas, Championship superando Brasileirão. Concentração na Europa (70%) reflete hegemonia econômica; Manchester City lidera com 19 convocados, símbolo de centralização.












