25 jogadores estrangeiros que atuam no Brasileirão se juntam às suas seleções para disputar a Copa do Mundo de 2026. O número supera o pico anterior de convocações (na era dos pontos corridos, ou seja, desde a copa de 2006), que aconteceu em 2014, quando a elite do futebol brasileiro exportou 7 jogadores para as seleções do Uruguai, Equador e Chile. Nesta edição, o Uruguai e o Paraguai são as seleções estrangeiras com maior presença de jogadores do campeonato brasileiro, com 7 jogadores. Em seguida, Equador (5) e Colômbia (4) completam a lista de seleções com mais peças do Brasileirão. Estrangeiros do Brasileirão na Copa de 2026 Atleta Clube Seleção Joaquín Piquerez Palmeiras Uruguai Emiliano Martínez Palmeiras Uruguai Giorgian de Arrascaeta Flamengo Uruguai Guillermo Varela Flamengo Uruguai Nicolás De La Cruz Flamengo Uruguai Agustín Canobbio Fluminense Uruguai Sergio Rochet Internacional Uruguai Andrés Gómez Vasco Colômbia Juan Portilla Athletico-PR Colômbia Jorge Carrascal Flamengo Colômbia Jhon Arias Palmeiras Colômbia Gustavo Gómez Palmeiras Paraguai Mauricio Prado Palmeiras Paraguai Ramón Sosa Palmeiras Paraguai Damián Bobadilla São Paulo Paraguai Isidro Pitta Bragantino Paraguai Junior Alonso Atlético-MG Paraguai Fabián Balbuena Grêmio Paraguai Félix Torres Internacional Equador Ángelo Preciado Atlético-MG Equador Alan Franco Atlético-MG Equador Alan Minda Atlético-MG Equador Gonzalo Plata Flamengo Equador Flaco López Palmeiras Argentina Menphis Depay Corinthians Holanda O feito também é histórico em número de seleções servidas. Em outras copas, os clubes brasileiros se restringiram a municiar no máximo 3 outras seleções que não a própria, sendo elas sempre as vizinhas sul-americanas. Dessa vez, são 6 seleções levando nomes do Brasileirão, entre elas a europeia Holanda, que convocou Memphis Depay, jogador do Corinthians. Nesse mérito, a expansão do número de participantes da Copa do Mundo ajudou. Com 48 seleções ao invés de apenas as 32 das copas anteriores, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol, na sigla em espanhol), passou a ter 6 vagas diretas e 1 vaga na repescagem intercontinental, o que fez com que mais seleções latinas, que tendem a convocar jogadores da liga brasileira, participem do torneio. Na regra antiga, quando o continente tinha 4 vagas diretas por direito e uma para a disputa na repescagem, o Paraguai, que levou 7 nomes, estaria fora da Copa. A presença do Brasileirão é ainda maior se considerados os talentos sul-americanos forjados no Brasil e exportados recentemente para a Europa. No elenco colombiano, por exemplo, Richard Rios, ex-Palmeiras, hoje joga no Benfica de Portugal e Yerry Mina, também ex-palmeirense, entra em campo pelo Calcio, da primeira divisão do campeonato italiano. Além deles, Santiago Arias, ex-Bahia e hoje no Independiente-ARG e o medalhão James Rodríguez, que teve passagem pelo São Paulo. Brasileirão é potência do futebol nas Américas A expansão da presença da liga nas seleções da copa do mundo não é por acaso, explica Amir Samoggi, diretor da Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo e gestão de clubes. “O Brasil é hoje o principal mercado da América do Sul. É muito mais rentável do que os seus vizinhos”, afirma. “Os craques dos outros países vem para cá porque vale a pena financeiramente e pela visibilidade, que é muito maior do que em campeonatos como o colombiano ou argentino.” A liga registrou um faturamento de US$ 2 bilhões em 2025, o maior em termos proporcionais entre as Américas, segundo a Sports Value. Apesar de ficar atrás da MLS (EUA) (US$ 2,5 bilhões) em termos brutos, a liga brasileira tem 20 clubes, enquanto a americana conta com 30. “O Flamengo sozinho tem um faturamento maior do que todo o campeonato colombiano”, exemplifica o especialista. Segundo os dados da Sports Value, a primeira divisão da liga colombiana faturou US$ 160 milhões, enquanto o Flamengo faturou R$ 2,1 bilhões, cerca de US$ 380 milhões na cotação da época. Em gastos salariais, o Brasil ocupa a 6ª posição entre as maiores ligas do futebol mundial. Esses gastos atingiram US$ 1,1 bilhões em 2025. “A diferença salarial de um Boca Juniors ou de um River Plate para um Flamengo ou Palmeiras é brutal. Para clubes colombianos, chilenos ou equatorianos nem se fala.” Para Somoggi, o caso do jogador colombiano John Arias exemplifica bem o poder financeiro e de visibilidade da liga. O ex-fluminense foi vendido ao inglês Wolves, que disputava a primeira divisão da Inglaterra, a liga mais poderosa financeiramente do mundo, custando cerca de R$ 142 milhões. Menos de um ano depois, o atleta foi repatriado a liga pelo Palmeiras, que aceitou pagar em torno de R$ 155 milhões. “Hoje em dia, os jogadores preferem estar no Brasil do que em times de menor importância das principais ligas do mundo. A visibilidade aqui aproxima os jogadores de suas seleções”, argumenta. O John Arias foi à Europa e voltou, mas há também casos de quem poderia, mas nem cogitou ir ao velho continente. Giorgian de Arrascaeta, atleta uruguaio que atua pelo Flamengo, foi sondado por alguns clubes europeus, principalmente após sua atuação na Copa do Mundo de 2022. “Eu não quis nem ouvir essas propostas”, disse o meia em uma entrevista concedida ao Transfermarkt este ano, sobre propostas que ele teria recebido desde sua chegada ao rubro-negro carioca, sem revelar quais clubes se aproximaram. “O Arrascaeta é um jogador que claramente poderia ir para Europa, mas ganha um grande salário, é ídolo no Brasil e vive uma vida de rei no Rio, então ele prefere ficar. Isso é algo que não acontecia no passado. Antes, o sonho dos jogadores do Brasileirão era ir para a Europa, hoje não necessariamente é assim”. Boom dos estrangeiros no Brasileirão A quantidade de novos estrangeiros no Brasileirão também é parte da razão pela qual a liga está indo em maior peso para esta Copa do Mundo. Em 2024, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) atendeu a um pedido unânime dos 20 clubes da Série A, aumentando o limite de estrangeiros por partida de sete para nove jogadores. Desde a temporada de 2024, portanto, segundo Regulamento Específico da Competição (REC) do Campeonato Brasileiro, os clubes da Série A podem relacionar até 9 jogadores estrangeiros por partida, entre titulares e reservas, em competições organizadas pela CBF. Em torneios internacionais, como a Copa Libertadores e a Sul-Americana, valem as regras da Conmebol. A CBF vem expandindo esse limite ao longo dos anos. Até 2013, o limite era de 3 estrangeiros por partida. De 2014 a 2022, a CBF atendeu a um movimento dos clubes e ampliou o limite para 5 estrangeiros relacionados por jogo. Em 2023, os times da Série A aprovaram, em Conselho Técnico, a elevação do limite de 5 para 7 estrangeiros por partida. A expansão dos 7 para os 9 jogadores na temporada de 2024 foi a última mudança, que está mantida em 2026. Segundo a CBF, não existe um limite específico de estrangeiros em campo ao mesmo tempo. Se o treinador quiser, os 9 "gringos" podem entrar em campo juntos. O importante é que, somando os reservas relacionados e os 11 titulares, apenas 9 do total de jogadores sejam estrangeiros. Atletas estrangeiros atuando no Brasileirão Fonte: Transfermarkt Também não há teto de estrangeiros no elenco geral do clube nem no total de inscritos no campeonato, de acordo com a CBF. A restrição é exclusiva para a lista de relacionados de cada jogo. A expansão permitiu que clubes com maior poder aquisitivo e maior presença de atletas estrangeiros — como o Botafogo, com 14 jogadores de fora do país, o Fluminense (12), o Flamengo (9) e o Palmeiras (8) — passassem a montar elencos mais robustos, ampliando as opções para lidar com um calendário apertado, dividido entre competições nacionais e internacionais. *Estagiário sob supervisão de Diogo Max