Gerando resumoA presença de mulheres em conselhos de administração chegou, em 2026, a 22,8% e, em diretorias executivas, a 17,1% nas empresas do Ibovespa – o principal índice da Bolsa de Valores, que engloba as 76 organizações que movimentam o maior volume de recursos no mercado acionário. No ano passado, a participação feminina era de 21,3% e 16,4%, respectivamente. Isso significa que houve um crescimento de 6,7% nos colegiados e de 4,6% nas diretorias. A velocidade de inclusão das mulheres na liderança de grandes empresas brasileiras melhorou na comparação com 2024 e 2025, mas ainda é aquém da necessária, de acordo com especialistas em diversidade e inclusão (leia mais aqui). Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo quinto ano consecutivo pelo Estadão, na primeira iniciativa do País em que é possível conhecer a situação, por empresa, da presença feminina em cargos de liderança (veja abaixo).PUBLICIDADE“Quando temos um avanço nesse ritmo, não estamos mudando a questão de gênero no mundo corporativo de forma estrutural, estamos fazendo uma adaptação incremental. Com um crescimento tão pequeno, o receio é que qualquer retrocesso político e cultural possa reverter essa tendência (de maior equidade). Isso é algo que já estamos vendo fora do País”, diz Margareth Goldenberg, gestora executiva do Mulher 360, um movimento empresarial que trabalha por empoderamento feminino e equidade de gênero.“O avanço que tivemos em 2026 é incompatível com a urgência do tema e o número de mulheres qualificadas no mercado”, acrescenta Goldenberg.PublicidadeAinda de acordo com os dados levantados pelo Estadão, o número de mulheres nos mais altos degraus da hierarquia também cresceu nos últimos 12 meses. Atualmente, são quatro as mulheres que ocupam o cargo de CEO e sete as que lideram conselhos de administração de companhias do Ibovespa. Se forem somadas as 11 mulheres nessas posições, elas chegam a 7,2% do total. Um ano atrás, eram três CEOs e cinco presidentes de conselho, somando sete mulheres, ou 4,8%.As informações foram coletadas entre 18 e 27 de maio nos sites de relações com investidores das companhias, partindo do princípio de que, por questão de transparência, as empresas devem manter suas páginas atualizadas. O levantamento considerou como membros das diretorias todos os profissionais que foram destacados pelas próprias organizações em suas páginas. Hoje, das companhias do Ibovespa, Petrobras, Banco do Brasil, Fleury e Copasa têm CEOs mulheres – as três primeiras já eram lideradas por mulheres em 2024; a Copasa passou a fazer parte do Ibovespa neste ano. Magazine Luiza, Santander, Banco do Brasil, Klabin, Braskem e Azzas têm mulheres à frente dos conselhos (nas quatro primeiras, as presidentes já ocupavam a função em 2024).Entre as corporações com menor desigualdade de gênero em seu comando estão a Petrobras (presença feminina de 27% no conselho e de 62,5% na diretoria), a Natura (37,5% e 50%, respectivamente), o Banco do Brasil (50% e 29%), a B3 (45,5% e 30%) e o Grupo Porto (antiga Porto Seguro), com 57,1% e 25%. Entre as piores para mulheres ascenderem, com nenhuma no conselho ou na diretoria estão CSN (SID Nacional) e Brava Energia. PublicidadeDeborah Vieitas, que preside o conselho de administração do Santander; sete empresas do Ibovespa têm hoje seus colegiados comandandos por mulheres Foto: TABA BENEDICTOEste foi o quinto ano consecutivo em que a CSN figurou entre as empresas sem mulheres em sua alta liderança. Em nota, a companhia afirmou ter mulheres em “posições estratégicas de liderança” e que o levantamento do Estadão não contempla informações da empresa, além de adotar “critérios e metodologias próprias que não refletem o modelo de governança e a estrutura organizacional do Grupo CSN”. A empresa destacou ter 28% de mulheres em seu quadro de colaboradores e adotar um programa para desenvolver lideranças femininas.Pelo segundo ano consecutivo entre as companhias sem mulheres no comando – antes a empresa não fazia parte do Ibovespa –, a Brava não respondeu à reportagem. O levantamento do Estadão mostra também que 58% das mulheres nas diretorias executivas lideram áreas de apoio, principalmente jurídica, RH e de sustentabilidade. Quando as mulheres não chegam aos setores considerados “core” (atividade principal da empresa), elas dificilmente alcançam um cargo de presidente, de acordo com especialistas da área.PUBLICIDADEEsse número reflete o que especialistas chamam de divisão sexual do conhecimento. Se antes as mulheres ficavam em casa cuidando dos filhos e, num segundo momento, após romperem essa primeira barreira, se tornaram professoras e enfermeiras, agora é praticamente natural que a lógica do cuidado continue sendo reproduzida. Por isso, é mais comum que mulheres sejam encarregadas da gestão de pessoas e da sustentabilidade, e menos de finanças, tecnologia e operacional. O mapeamento ainda aponta que 31,6% das organizações ainda não têm mulheres em suas diretorias e que apenas 18,4% delas têm mais de 30% de presença feminina em seu órgão executivo. Participações femininas inferiores a 30% podem ser pouco eficazes. Isso porque essa parcela é a mínima necessária, segundo estudos, para que um grupo minoritário consiga influenciar a maioria.Considerando conselhos de administração, são 25% as companhias com mais de 30% de mulheres. No ano passado, eram 20,4% e, em 2022 – primeiro ano do levantamento do Estadão –, 13,7%.O que é ‘degrau quebrado’No mundo corporativo, o problema de as mulheres não alcançarem os cargos mais altos é conhecido como “degrau quebrado”. Isso porque as mulheres, em grande parte, têm acesso ao mercado de trabalho; mas, conforme se aproximam do topo da hierarquia das organizações, encontram obstáculos que dificultam a ascensão. As opções são, assim, parar por ali ou fazer um esforço muito maior para subir esse degrau.Dados do Instituto Ethos de 2023 e 2024 mostram que, entre as 1,1 mil maiores empresas do País, a participação feminina entre aprendizes e estagiários era de 57,4% e 54,5%, respectivamente. Mas esses números vão caindo até chegar a 37,3% nas posições de gerência e a 27,4% nas de diretoria executiva. Isso ocorre apesar de o nível de instrução das mulheres ser superior ao dos homens.Publicidade
Saiba quais são as grandes empresas do País com maior presença de mulheres na alta liderança em 2026
Levantamento do ‘Estadão’ aponta que Petrobras, Natura, Banco do Brasil, B3 e Grupo Porto estão entre as companhias com menor desigualdade de gênero em seu comando











