Governo brasileiro diz que reconhecimento sanitário da China deve ampliar exportações de carne bovina ao país Presidente Lula no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 13:35 Lula comemora abertura do mercado chinês para carne brasileira após tarifa dos EUA Após um aumento tarifário dos EUA, Lula celebra a abertura do mercado chinês para a carne brasileira, destacando o reconhecimento da China de que o Brasil está livre da febre aftosa. Enquanto os EUA propõem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Lula vê a decisão chinesa como uma oportunidade para diversificar as exportações. O governo brasileiro considera os argumentos americanos infundados e busca alternativas de negociação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa pela China. Ele ressaltou que a decisão do governo chinês veio no mesmo dia que o governo dos Estados Unidos apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo Lula, o reconhecimento abre espaço para que o Brasil possa vender carne para outros países. Desde a implementação da primeira tarifa dos Estados Unidos, o governo brasileiro tem pregado a diversificação de parceiros comerciais em diversos setores, inclusive agropecuário. — Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor a medida do (Donald) Trump (presidente dos EUA)? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, veja, eu tenho muita sorte, eu não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, pode ficar com suas coisas, eu vou vender para outro — afirmou Lula em evento em Goiás nesta terça-feira. A febre aftosa é uma doença viral que acomete bovinos e suínos. O reconhecimento deve derrubar as restrições que vigoram atualmente. O Ministério da Agricultura e Pecuária disse em nota que a decisão deve ampliar as oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos oriundos do Brasil no mercado chinês, “como miúdos e carne com osso”. Segundo dados do governo, as exportações do agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025. No evento em Catalão (GO), o presidente ressaltou que as novas tarifas propostas pelo governo americano devem prejudicar setores da economia brasileira, como o agro. — Só para você lembrar, ele (Flávio Bolsonaro) hoje foi dizer que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. Foi: “Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, pq o Lula vai ganhar as eleições Trump, não deixa, prejudica o Lula”. Imbecil, ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários, nosso agronegócio. O relatório divulgado pelo governo americano afirma que determinadas políticas e práticas do Brasil seriam "irrazoáveis" e prejudicariam empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção. Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro consideraram a proposta sem fundamento técnico consistente e classificaram como "absurda" a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos americanos. Ao mesmo tempo, auxiliares do presidente Lula avaliam que o resultado poderia ter sido mais severo, já que a tarifa sugerida ficou em 25% e o documento prevê uma ampla lista de exceções, além de mencionar a possibilidade de um acordo entre os dois países. Em um encontro nesta terça-feira, ministros do governo devem alinhar a estratégia do governo diante da nova escalada comercial. Entre as alternativas em análise estão a manutenção das negociações com Washington, por meio do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Donald Trump em maio, e eventuais medidas de resposta com base nos instrumentos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.