Gerando resumoENVIADA ESPECIAL A LINKÖPING (SUÉCIA) - O primeiro caça supersônico da Força Aérea Brasileira (FAB) produzido com participação brasileira e capacidade para dois pilotos foi apresentado nesta terça-feira, 2, pela fabricante Saab, na cidade de Linköping, na Suécia. PUBLICIDADEO modelo foi criado a pedido da FAB, em um projeto que envolveu transferência de tecnologia para o Brasil. A aeronave servirá para realizar treinamento de tripulantes e também para combate. O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, e o da Suécia, Pål Jonson, participaram da cerimônia.Batizado de Gripen F, o caça faz parte da compra realizada pelo governo brasileiro em 2014, que inclui 36 unidades — sendo 15 montados na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Do total, oito são com capacidade para dois pilotos e 28 para apenas um (modelo conhecido como Gripen E).O Gripen F é apresentado pela fabricante Saab na cidade de Linköping, na Suécia Foto: Luciana Dyniewicz/EstadãoNa cerimônia de apresentação da aeronave, o ministro José Múcio afirmou que os investimentos realizados no programa Gripen trouxeram “outros ganhos, além da defesa: o incremento tecnológico,, a geração de postos de trabalho altamente qualificados e a abertura para novas oportunidades econômicas”.PublicidadeO presidente da Saab, Micael Johansson, destacou que o projeto do Gripen F faz parte “da mais abrangente transferência de tecnologia já realizada e em andamento no mundo”.Ele reconheceu que o mercado para caças com espaço para dois pilotos é mais limitado do que o modelo tradicional. Mas destacou que a demanda pelo produto dependerá da forma de trabalho de cada Forças Aéreas. “Diferentes países têm diferentes formas de organizar o treinamento.”O novo caça é 66 centímetros mais longo que o Gripen E, somando 15,9 metros, e foi desenvolvido em parceria com as brasileiras Embraer, Akaer e AEL Sistemas. “Para uma aeronave, essa (66 centímetros) é uma diferença enorme. Basicamente, é necessário refazer grande parte do trabalho de projeto, reavaliar as cargas estruturais da fuselagem, refazer toda a fiação e tubulação, distribuir computadores e equipamentos internos. Portanto, trata-se de um trabalho enorme de engenharia”, disse, na véspera da apresentação da aeronave, o diretor global de desenvolvimento de negócios e vendas da Saab, Fredrik Gustafson. Leia tambémSaab deve ampliar capacidade de produção de caças no Brasil caso venda para Ucrânia se concretizeRéplica de avião de Santos Dumont fica destruída após homenagem na Academia da FAB: ‘Pombo sem asa’O Gripen F deve garantir à FAB uma economia de tempo no treinamento de pilotos, dado que eles poderão aprender diretamente no ambiente de combate, e não em equipamentos de solo. O caça também permite que um tripulante se dedique mais à operação interna da aeronave e o outro, ao campo de batalha.PublicidadeO desenvolvimento do caça levou cerca de três anos, com profissionais brasileiros tendo passado de seis meses a dois anos na Suécia atuando no projeto. De acordo com Gustafson, os brasileiros desenvolveram cerca de 50% do trabalho.O executivo afirmou que o modelo não deve ser produzido no Brasil. “É um número menor de unidades encomendadas. Então é mais eficiente para a Embraer produzir apenas os Gripen E.” No fim de março, foi entregue o primeiro Gripen E fabricado no Brasil, na linha de produção da Saab localizada na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto.Por ora, além do Brasil, apenas a Colômbia e a Tailândia encomendaram caças do novo modelo. Bogotá tem um pedido total de 17 unidades, sendo duas delas com capacidade para dois pilotos, e Bangkok, três aeronaves – uma delas no modelo F. Questionado se o governo sueco também iria adquirir o caça para dois pilotos, o diretor de marketing do Gripen, Mikael Franzén, afirmou que há conversas sobre o assunto.O Gripen pode atingir até 2.470 km/h, equivalente a duas vezes a velocidade do som. Além de ter 15,9 metros de comprimento, tem 8,6 metros de envergadura.PublicidadeO processo de aquisição do avião supersônico pela FAB teve início ainda no primeiro mandato de Lula, e a Saab foi anunciada vencedora em 2013. A efetivação da operação, avaliada em US$ 4 bilhões à época, ocorreu durante a gestão Dilma Rousseff, após a assinatura do contrato de financiamento.Além da Saab, participaram da concorrência a americana Boeing e a francesa Dassault. A empresa sueca venceu a licitação do programa F-X2, voltado à renovação da frota de caças da FAB, ao oferecer transferência de tecnologia e capacitação industrial no Brasil.A repórter viajou a convite da Saab
Primeiro caça supersônico para 2 pilotos feito com participação do Brasil é apresentado na Suécia
Aeronave fabricada pela Saab a pedido da FAB foi desenvolvida em parceria com Embraer e outras empresas brasileiras
Saab apresenta Gripen F com dois assentos; 36 unidades encomendadas 2014, 15 produzidas pela Embraer em parceria Brasil-Suécia. Transfer tecnológico em engineering crítico valida modelo replicável em high-tech; demonstra capacidade competitiva brasileira para diversificação estratégica além defesa.













