A empresa de defesa sueca Saab apresentou, nesta terça-feira (2), em Linköping, na Suécia, o seu primeiro caça Gripen F, modelo de combate de nova geração com dois lugares e que teve a Força Aérea Brasileira (FAB) como primeiro cliente. A apresentação do modelo à imprensa acontece em meio a um cenário de forte escalada nos conflitos globais, com países elevando seus gastos em defesa. Confira os resultados e indicadores da Embraer e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A empresa tem buscado novos mercados, e a América Latina é apontada como estratégica pelo grupo, que reuniu jornalistas de 16 veículos da região em viagem à Suécia, com visitas às instalações nas cidades de Gotemburgo, Karlskoga, Linköping e Estocolmo. O Brasil foi destaque nas conversas, sobretudo diante do fortalecimento da relação entre os dois países com o avanço do projeto de fabricação do caça Gripen E em parceria com a Embraer. O contrato da Saab com o governo brasileiro, assinado em 2014, contempla o desenvolvimento e a produção de 36 exemplares, sendo 28 Gripen E e oito Gripen F. As entregas começaram em 2020 e, até o momento, 11 caças foram entregues. O contrato total é de mais de US$ 4 bilhões. A Saab também já recebeu pedidos de Gripen F da Tailândia e da Colômbia. Segundo a companhia, cliente lançador do Gripen F, o Brasil desempenhou um papel ativo no codesenvolvimento da versão de dois assentos, o que possibilitou um envolvimento industrial direto, em uma cooperação de longo prazo. Durante a cerimônia, o CEO da Saab, Micael Johansson, agradeceu o Brasil pela parceria no desenvolvimento do Gripen. “A parceria é motivo de orgulho para nós e posso garantir que vamos continuar construindo o futuro juntos”, disse, destacando que a parceria representa o fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira. O ministro da defesa do Brasil, José Mucio Monteiro, disse que, por meio da Embraer e Saab, os dois países conseguiram promover o desenvolvimento estratégico do Gripen, fundamental para a FAB. “Para o Brasil, o Gripen traz outros ganhos além da defesa, como avanço tecnológico, postos de trabalhos altamente qualificados e a abertura de novas oportunidades econômicas”, disse. O evento contou com a presença também do general Marcelo Damasceno, comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), e Pål Jonson, ministro da defesa da Suécia. Mikael Franzén, vice-presidente e diretor de marketing (CMO) da área de negócios de aeronáutica da Saab, explicou que a adição de um novo assento pode parecer simples, mas representou um amplo redesenho de aerodinâmica no avião. A adição de um segundo cockpit totalmente independente permite a execução de missões orientadas por instrutores em um caça plenamente operacional, proporcionando aos pilotos condições reais de missão. Antes da entrega final à FAB, a aeronave apresentada nesta terça-feira passará por uma campanha de testes no Centro de Ensaios em Voo da Saab (Flight Test Centre), na Suécia. A história do Gripen brasileiro começou em 2013, quando a sueca Saab foi anunciada vencedora da concorrência do Programa F-X2, destinada à renovação da frota de aeronaves de caça da Força Aérea Brasileira (FAB). O edital começou em meados de 2008, e a disputa final envolveu o Boeing F/A-18 E/F Super Hornet (EUA), Dassault Rafale (França) e Saab Gripen NG (Suécia). Por meio de uma ampla transferência de tecnologia, a Saab treinou mais de 350 profissionais brasileiros, entre técnicos, engenheiros e pilotos, para que o Brasil esteja apto a desenvolver, produzir e manter caças supersônicos no país, ao longo de toda a vida útil, nos próximos 30 a 40 anos. A linha de produção no Brasil foi inaugurada em 9 de maio de 2023, na planta da Embraer em Gavião Peixoto (SP), de onde serão produzidas 15 aeronaves a serem entregues à Força Aérea Brasileira (FAB). A linha de produção no Brasil foi a primeira do mundo fora da Suécia desde a fundação da Saab, em 1937. Executivos da Saab destacaram que a planta no país tem o objetivo de ajudar no fornecimento global do equipamento militar. Há possibilidade de a fábrica também auxiliar no fornecimento de aeronaves à Ucrânia e Colômbia. A Saab viu a demanda por seus radares, caças e armamentos de guerra disparar diante da escalada nos conflitos globais, que não têm um horizonte claro de solução. “A Saab hoje atravessa um momento que mais se parece com o período em que foi fundada, em 1937”, disse Linus Rydberg, diretor de estratégia (CSO) da Saab Surveillance, durante coletiva de imprensa em Gotemburgo. A divisão é focada na fabricação de radares e sensores. Os equipamentos da empresa fazem parte do arsenal do governo brasileiro e alguns dos radares foram usados, por exemplo, para a manutenção da segurança do espaço aéreo do país durante grandes eventos, como competições esportivas e a COP30, em Belém. Em 2015, toda a Saab teve uma receita de vendas de cerca de 27,2 bilhões de coroas suecas (cerca de R$ 14,8 bilhões na cotação atual). Em 2025, número saltou para 79 bilhões de coroas suecas. Em 2027, a meta é elevar esse valor para mais de 100 bilhões de coroas suecas. Em 2025, apenas a divisão de Surveillance da empresa faturou 27,3 bilhões de coroas suecas. Em uma extensa agenda com a imprensa, os executivos destacaram que a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, um dos primeiros eventos da turbulência global atual, acabou não sendo levado tão a sério pelos países da região. Em 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia após o país tentar se juntar à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em uma guerra que perdura até hoje. Depois, o conflito entre Israel e o Hamas foi desencadeado e, mais recentemente, a decisão dos Estados Unidos e de Israel de atacar o Irã levou a uma disparada do preço do petróleo por causa do fechamento do Estreito de Ormuz. A Saab surgiu durante um período de forte rearmamento europeu. Dois anos depois de sua fundação, teve início a Segunda Guerra Mundial. A empresa, cuja sigla significa Svenska Aeroplan Aktiebolaget (ou Companhia Sueca de Aviões, em tradução livre), surgiu para projetar e fabricar aeronaves para a Força Aérea do país. Até hoje, é uma empresa listada na Bolsa de Valores de Estocolmo e sem participação do Estado, embora o governo sueco seja seu maior cliente, com cerca de 40% das vendas. A América Latina representa 4% das vendas da Saab. Entre todas as apresentações de executivos da empresa, uma das expressões que mais apareceu foi “novas ameaças”. A guerra, em meio a um mundo cada vez mais digital, mudou. Entre as principais transformações está o uso da inteligência artificial como forma de ganho de capacidade e escala, para além do uso no ataque orquestrado de exércitos de drones. Essa tecnologia tem se mostrado eficiente em campo e pegou muitos sistemas de Defesa despreparados ao combater drones (que custam milhares de dólares) com mísseis (que custam milhões de dólares). A mudança levou a Saab a se movimentar. No fim de 2025, a empresa divulgou ao mercado um novo míssil, o Nimbrix, com o objetivo de atacar drones de forma mais eficiente e com um custo mais baixo. A estimativa é entregar as primeiras unidades no ano que vem. * O repórter viajou a convite da Saab
Saab apresenta Gripen F, caça de nova geração, em meio à escalada nos conflitos globais
Brasil é estratégico para sueca, sobretudo diante do fortalecimento da relação entre os dois países com o avanço do projeto de fabricação do caça Gripen E em parceria com a Embraer












