Com a menor disposição do investidor para crédito privado, os títulos bancários vêm ganhando espaço. Relatório da área de pesquisa do BTG Patcual mostra que o estoque de CDBs atingiu R$ 2,9 trilhões em abril de 2026, o que corresponde a uma alta expressiva de 4,8% frente a março e de 6,2% no ano. No geral, os estoques de crédito privado atingiram R$ 2,1 trilhões em abril, segundo o estudo, com crescimento de 0,4% frente a março e de 3,6% no ano. Já o de letras financeiras (LFs) alcançou R$ 1 trilhão, um aumento de somente 0,6% frente ao mês anterior, mas de 5,4% em 2026. De acordo com o levantamento, as debêntures incentivadas foram o principal motor da expansão do mercado, totalizando R$ 612 bilhões em estoque em abril, com alta de 10% no ano e de 1,8% frente a março. Já o de debêntures tradicionais permanece ficou estável em R$ 884 bilhões, com crescimento de apenas 0,8% no ano e retração de 0,5% no mês, “refletindo um mercado primário menos aquecido.” Em abril as emissões de crédito privado desaceleraram para R$ 45 bilhões, um recuo de 25,6% frente a março, mas 5,3% superior frente ao mesmo mês de 2025. Com isso, o total emitido nos primeiros quatro meses de 2026 chegou a R$ 187 bilhões, ligeira alta de 0,3% em relação a igual período do ano passado. De acordo com o relatório do BTG, as debêntures tradicionais totalizaram R$ 12 bilhões em emissões em abril, forte queda de 51,7% em relação a março e de 18,1% frente ao mesmo mês de 2025, com apenas 13% distribuído ao mercado. Já as debêntures incentivadas somaram R$ 9 bilhões em emissões, volume 59,5% menor do que o de março e 5% frente a igual mês de 2026, com apenas 14% distribuído ao mercado. O estoque de LCIs, LCAs e LIGs, que somou R$ 1,2 trilhão ao fim do mês, com retração de 0,2% frente a março e alta de 0,4% no ano. Conforme o relatório, uma amostra de 1.100 fundos com mínimo de 10% de alocação em crédito privado acumula resgates de R$ 69 bilhões no ano, equivalentes a 3,9% do patrimônio líquido (PL). “No entanto, o pior momento parece ter ficado para trás: abril encerrou com resgates de R$ 31 bilhões (1,8% do PL), enquanto os dados parciais até 21 de maio indicam desaceleração dos saques para R$ 8,3 bilhões no mês (0,5% do PL)”, diz o texto, assinado pelo analista Thomas Tenyi. Ele diz que a redução do ritmo de saques é explicada pela melhora da rentabilidade dos fundos, à medida que os prêmios de risco começaram a cair. O IDA-DI voltou a superar o CDI no acumulado do ano, com performance de 113% do CDI em abril e 184% do CDI até 21 de maio. Já a amostra de 1.900 fundos de infraestrutura registrou resgates mais relevantes, totalizando R$ 10,1 bilhões em abril (3,1% do PL) e R$ 11 bilhões em maio até dia 21 (3,5% do PL). No ano, a amostra acumula R$ 9 bi de resgates, equivalentes a 3% do PL. — Foto: Gerd Altmann/Pixabay
Estoque de CDBs cresce acima da média do crédito privado com piora do humor do investidor
Títulos bancários vêm ganhando espaço, mostra relatório da área de pesquisa do BTG










