Eleições 2026

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se tornou um fenômeno eleitoral porque entendeu antes de quase todo mundo que a política das redes não vive de programa de governo. Vive de conflito. Nesse ambiente, ele se move com desenvoltura. A votação da redução da escala 6×1, na semana passada, bagunçou o método.

Dessa vez, o tema não se resolvia com mais uma provocação contra a esquerda nem com um vídeo indignado. O assunto era o segundo dia de descanso de quem trabalha em supermercado, farmácia, shopping, restaurante, telemarketing, portaria, limpeza, segurança privada e serviços gerais.

O debate era sobre tempo. E tempo, para quem vende quase todos os dias da semana em troca de salário baixo, não é uma abstração retórica. No caso, significa o domingo sem descanso, o filho que já dormiu quando a mãe chega ou o casal que nunca folga no mesmo dia.

Esse é o público que Nikolas conhece bem como audiência. Gente que pode votar nele, compartilhar seus vídeos e enxergar em sua figura uma rebeldia contra as elites políticas e as instituições. O problema é que a escala 6×1 trouxe essa rebeldia para perto demais da rotina concreta de quem pega ônibus de madrugada para ir trabalhar.