Foi o espetáculo de sempre no mafuá da Câmara dos Deputados. Em mais de 12 horas de sessão, vaias, comemorações, bate-bocas ensaiados para alimentar as redes sociais. O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) roubou a cena ao dizer que o fim da escala 6x1 vai permitir mais tempo para o sexo.
Em defesa da aprovação do texto, Otoni de Paula (PSD-RJ) voltou à década de 60 do século passado, aos polarizados festivais da canção, puxando o coro de "Pra Não Dizer que não Falei das Flores (Caminhando)", de Geraldo Vandré. Uma cena constrangedora, mas quem estava ligando?
O governo conseguiu vencer uma. E com placar elástico: 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno e 461 favoráveis e 19 contrários no segundo. Com base nas pesquisas, pode-se dizer que a população ficou satisfeita: 73% apoiam a PEC. E 71% dizem não temer o risco de demissão ou de ficar sem emprego. As forças do lobby empresarial agora se concentram no Senado, que ainda não tem data para discutir a proposta.
Maior partido do país, o PL tentou de todas as maneiras tumultuar a votação. À última hora, defendeu uma escala para inglês ver: quatro dias de trabalho e três de folga. Ficou evidente que pouco lhe importa a vida dos brasileiros. Está mais preocupado com o uso político que o Planalto poderá fazer da PEC na campanha para a reeleição de Lula.












