Acordo ou não acordo: esta é a incerteza que está a matar iranianos, literal e figurativamente. Desde que um frágil cessar-fogo foi anunciado a 8 de Abril, a possibilidade iminente de um retornar da guerra não saiu das mentes e vidas dos iranianos dentro do Irão. De facto, o cessar-fogo foi logo violado por Israel e a República Islâmica.No dia 23 de Maio, Trump sugeriu que um acordo de paz tinha sido “em grande parte, negociado” com a República Islâmica. Os detalhes deste rascunho incluíam a situação no estreito de Ormuz, mas também previam descongelar os activos iranianos no estrangeiro. Uma catástrofe. Não para os EUA ou para a República Islâmica, senão para os iranianos comuns.Enquanto isso, uma omissão total da catástrofe humanitária continua dentro do Irão, mesmo depois do massacre em Janeiro. A República Islâmica não permitiu aos iranianos terem acesso à internet internacional desde o dia 28 de Fevereiro (o acesso foi reposto no final de Maio, mas não em pleno), quando os EUA e Israel começaram esta guerra contra o Irão. Com a contínua recusa de acesso à internet, mesmo durante o cessar-fogo, há uma verdadeira preocupação desta tornar-se um luxo para o cidadão comum, quando as VPN são assustadoramente caras e funcionários do Governo e pessoas a ele ligadas têm acesso grátis através do “cartão SIM branco”. Ou seja, a República Islâmica cria o problema para o cidadão comum e logo oferece uma solução que requer dinheiro. Este tipo de silêncio imposto é uma perspectiva assustadora para o futuro dos iranianos, que cada vez mais se parece com o da Coreia do Norte.No entanto, esta situação não só silenciou os iranianos, como também piorou a conjuntura económica do país, já de si terrível, com uma estimativa de mais de dois milhões de pessoas recém-desempregadas desde o começo da guerra. Muitos iranianos dependem da internet para os seus empregos, as suas maneiras de ganhar a vida ou de atraírem clientes, e com o desaparecimento desta forma de comunicação, as pessoas não sabem a quem recorrer. Além disso, o preço dos produtos diários e dos alimentos disparou desde a insurreição nacional de Janeiro, que inicialmente foi motivada pela economia em declínio, com muitas pessoas afirmando que já não podem sequer suportar os custos do arroz.
Acordo ou não acordo: a incerteza que está a matar iranianos
O povo não protestou para as negociações com os EUA nem para a guerra. A intenção de entregar dinheiro de bandeja ao regime iraniano será uma bofetada na cara dos iranianos que protestaram nas ruas.













