O processo de reembolso do SUS (Sistema Único de Saúde) pelos planos de saúde vai ganhar o auxílio de uma ferramenta de inteligência artificial. Batizada de Iara, ela promete ajudar a ANS (Agência Nacional de Saúde) a analisar procedimentos e automatizar etapas executadas manualmente.

A lei 9.656/1998, que regulamenta os planos de saúde privados, prevê que eles devem reembolsar o SUS sempre que um beneficiário de convênio médico for atendido na rede pública. O dinheiro arrecadado é repassado ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), que financia a saúde pública em todo o país. Porém, esse fluxo muitas vezes é travado por impugnações das empresas, que contestam as cobranças.

Adriana Bion, gerente da ANS responsável pelos processos de ressarcimento, explica que a IA será usada para avaliar as cobranças questionadas. "A ideia é identificar os motivos de cada impugnação e buscar, na documentação anexada ao processo, informações necessárias para recomendar um resultado", diz. As recomendações da IA serão revisadas por analistas da agência.

Quando as operadoras entendem que a cobrança é indevida, elas podem apresentar um pedido de impugnação à ANS, que a agência pode recusar ou aceitar. Se a agência não abrir mão do reembolso e o plano se recusar a pagar, o débito é inscrito na dívida ativa da União, o que permite cobranças judiciais. A operadora é inscrita como devedora no cadastro do governo federal e pode enfrentar restrição de crédito.