O relator do projeto de lei complementar (PLP) que amplia o teto de faturamento anual do microempreendedor individual (MEI), deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), defende que a votação da proposta na comissão especial ocorra ainda neste mês. Em entrevista ao Valor, o parlamentar afirmou que o ideal é que o texto seja aprovado ainda neste ano, antes do período eleitoral. Segundo ele, após as eleições, a composição da Câmara dos Deputados poderá sofrer mudanças que dificultem o avanço da matéria. Já aprovado pelo Senado, o projeto está parado na Câmara dos Deputados. O texto amplia o limite de faturamento anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil e permite a contratação de até dois funcionários. Na Câmara, o substitutivo aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT) ampliou o alcance da proposta. Além de elevar o teto de faturamento do MEI para R$ 145 mil, com reajuste anual pelo IPCA, o parecer também atualiza as faixas de enquadramento do Simples Nacional. Pelas novas regras, o faturamento anual máximo das microempresas (ME) passaria de R$ 360 mil para R$ 869 mil, enquanto o das empresas de pequeno porte (EPP) subiria de R$ 4,8 milhões para R$ 8,6 milhões. A ampliação do escopo da proposta, no entanto, enfrenta resistência da equipe econômica, que estima um impacto fiscal de R$ 48,5 bilhões em 2027 e de R$ 53,7 bilhões em 2028. Apesar das ressalvas do governo, Goetten afirmou, durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (1º), em Porto Alegre (RS), que a inclusão das empresas do Simples Nacional no texto é uma questão pacificada com o setor. Para o relator, seria um equívoco restringir a proposta apenas às mudanças voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs). "Não podemos perder a oportunidade de incluir as empresas do Simples no PLP 108. O projeto veio do Senado apenas aumentando o limite dos MEIs e dando a oportunidade para que o MEI contrate mais um funcionário", afirmou Goetten. Para viabilizar a votação da proposta, foi acordada a criação de um grupo de trabalho (GT) formado por técnicos dos Ministérios da Fazenda e do Empreendedorismo, além de representantes do Legislativo. Segundo Goetten, o colegiado deve trabalhar em ritmo acelerado e apresentar resultados em curto prazo. “Então, eu penso que em 15, 20 dias de trabalho já vai surgir muitas informações e o encaminhamento que vai nortear como que nós devemos avançar”, disse. O projeto voltou a ganhar tração no Congresso após o avanço da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1. Durante as negociações em torno da matéria, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), articulou com o governo medidas de proteção voltadas aos microempreendedores individuais. O acordo fechado entre governo e Câmara prevê a elevação do teto de faturamento do MEI e a ampliação do número de funcionários que podem ser contratados pela categoria. Ainda não há consenso, porém, sobre a revisão das faixas de enquadramento das demais categorias do Simples Nacional.
Relator defende votar projeto que amplia MEI em comissão especial ainda este mês
Relator defende votar projeto que amplia MEI em comissão especial ainda este mês













