Segundo a denúncia do Ministério Público, ele declarou formalmente que morava em Londres, na Inglaterra, quando na verdade residia em Poços de Caldas, Minas Gerais José Eduardo Franco dos Reis, acusado de falsidade ideológica — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 15:19 Juiz Aposentado Torna-se Réu por Falsidade Ideológica em MG O juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, acusado de manter duas identidades por 45 anos, tornou-se réu em um segundo processo por falsidade ideológica. Ele declarou morar em Londres, mas residia em Poços de Caldas. O caso veio à tona quando tentou renovar seu RG real, revelando a duplicidade de identidade. A defesa alega insanidade mental, enquanto Reis narra que a mudança de nome foi influenciada por uma fixação pela Inglaterra na infância. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, acusado de manter duas identidades ao longo dos últimos 40 anos, tornou-se réu em um segundo processo por falsidade ideológica. Neste segundo processo, que corre em paralelo ao principal, Reis é acusado de mentir seu endereço residencial. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele declarou formalmente que morava em Londres, na Inglaterra, quando na verdade residia em Poços de Caldas, Minas Gerais. A nova ação penal decorre da rejeição, por parte da defesa, de um acordo proposto pelo Ministério Público em fevereiro para encerrar o litígio, considerado de menor potencial ofensivo. Na última semana, os advogados informaram que pretendem aguardar o julgamento, defendendo a tese de que ele não cometeu um novo crime. Em sua defesa nos autos, o magistrado aposentado alegou que estava organizando uma mudança efetiva para o Reino Unido e que indicou o endereço antecipadamente por receio de não conseguir realizar o cadastro quando já estivesse no exterior. Reis afirmou ainda que, após abandonar o projeto de mudar-se do Brasil, retificou as informações cadastrais para o endereço correto. Este desdobramento junta-se à ação penal principal que apura a utilização de uma identidade fictícia durante quase toda a vida adulta de José Eduardo. Por 45 anos, ele exerceu a cidadania e a carreira na magistratura sob o nome de Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield. Sede do Tribunal de Justiça de São Paulo — Foto: Reprodução O caso, que se tornou público em abril de 2025, foi descoberto quando o juiz aposentado tentou renovar o RG de sua identidade real (José Eduardo). Os sistemas de segurança emitiram um alerta de duplicidade biométrica, apontando que as digitais dele eram idênticas às do suposto cidadão britânico "Edward". No processo principal, a defesa alega insanidade mental e aguarda a conclusão de laudos periciais que possam atenuar a pena. Procurado para comentar o caso, o advogado criminalista Alberto Zacharias Toron ainda não se pronunciou. Segundo as investigações, Reis obteve o RG falso em 1980, aos 22 anos. Com o nome de Edward, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), formou-se e, em 1995, foi aprovado no concurso público para magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), cargo no qual atuou por 23 anos até se aposentar. Entenda como nasceu 'Edward Wickfield' Em 13 de maio do ano passado, no âmbito das investigações da Corregedoria do TJ-SP, José Eduardo Franco dos Reis detalhou em um longo depoimento a origem e a sustentação da farsa. Confira os principais trechos do relato: A fixação pela Inglaterra: Reis explicou que a mudança de nome teve raízes psicológicas na infância. "Eu mudei de José Eduardo para Edward sem nenhum motivo concreto (...). Eu tinha uma fixação pela Inglaterra (...). Eu, criança, já lia e relia livros de autores ingleses: Charles Dickens, Walter Scott, Robert Stevenson (...). Eu me sentia um estranho na minha casa." Frustração nos EUA e depressão: Em 1979, o então jovem viajou para os Estados Unidos com economias próprias, contra a vontade do pai rígido. A viagem foi um fracasso financeiro e de adaptação. Ao retornar ao Brasil em segredo, envergonhado e deprimido, foi morar em uma pensão em São Paulo. A ajuda do 'Tio Pupo': Em uma pensão, Reis conheceu um homem mais velho chamado Vicente, conhecido como "Tio Pupo", que trabalhava em uma delegacia de polícia. Diante do quadro depressivo do jovem, o homem ofereceu uma "solução". "Ele falava se eu queria ter um outro nome. 'Você quer renascer? Eu ajudo você. Vou fazer um novo documento para você'." Tio Pupo recolheu a certidão de nascimento legítima de José Eduardo e entregou o novo RG já pronto. "Eu olhei e disse: 'Que nome esquisito, estranho, horroroso!'. Ele falou: 'Agora já tá feito, não tem como voltar atrás'."Ascensão profissional e vida dupla: Com o documento falso, Reis trabalhou por 12 anos no Consulado Geral da África do Sul, concluiu os estudos básicos, graduou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e passou no concurso para juiz. Durante todo o período, a família acreditava que ele ainda utilizava o nome de José Eduardo. "Ninguém foi (na formatura), não fiz festejo nenhum, só fui na colação (de grau), sozinho."O peso do segredo e o medo da morte: Em 1993 e, posteriormente, em 2023, Reis renovou o RG de "José Eduardo" por razões sentimentais e pelo temor de envelhecer e morrer sob a identidade falsa. "Esse nome Edward ao longo dos anos foi se tornando um peso, estava afetando até minha saúde. (...) Queria que minha família me enterrasse como José. Depois que eu me aposentei, eu não precisava mais ser Edward."Partilha de bens e saúde mental: Com a descoberta da fraude, o magistrado aposentado revelou a verdade às irmãs e transferiu os dois imóveis que possuía em nome de "Edward" para o nome delas, visando evitar problemas sucessórios. Questionado se buscou apoio psicológico ao longo das décadas, ele negou: "Não entendia isso como um desvio de personalidade (...), entendia que era um problema que surgiu no momento em que eu estava totalmente desamparado, aceitei aquela situação e fui convivendo com isso.
Juiz aposentado que usou nome falso por 45 anos vira réu em segundo processo de falsidade ideológica
Segundo a denúncia do Ministério Público, ele declarou formalmente que morava em Londres, na Inglaterra, quando na verdade residia em Poços de Caldas, Minas Gerais








