Acusado se apresentava como policial federal sem nunca ter feito parte da corporação e chegou a ser o responsável pela segurança da família da vítima Lourival Fatica, usando uma camisa da PF, embora nunca tenha sido policial. Ao lado a foto de Anic de Almeida Peixoto Herdy — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 17:08 Justiça Mantém Prisão de Lourival Correa, Assassino Confesso de Advogada A Justiça negou o pedido de liberdade de Lourival Correa Netto Fatica, assassino confesso da advogada Anic de Almeida Peixoto Herdy, morta em um motel na Região Serrana. Lourival, que se passava por policial federal, teria premeditado o crime e concretado o corpo da vítima em sua residência. O juiz considerou que seu quadro de saúde não é incompatível com a prisão. O caso foi tipificado como homicídio triplamente qualificado e extorsão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O juiz Marcelo Brito da Costa Honorato Santos, da 1ª Vara Criminal de Petrópolis, negou pedido, no último dia 13, para que o técnico de informática Lourival Correa Netto Fatica, assassino confesso da advogada e estudante de psicologia Anic de Almeida Peixoto Herdy, de 55 anos, tivesse a prisão preventiva revogada. No mesmo despacho, o magistrado também indeferiu solicitação feita pela defesa para que o cumprimento da preventiva do acusado fosse convertido em regime de prisão domiciliar. Os pedidos foram feitos porque a defesa alegou que Lourival, atualmente preso no Complexo do Gericinó, na Zona Oeste do Rio, apresenta hipertensão arterial refratária de nível III. O juízo, no entanto, considerou que não se trata de um quadro de saúde grave ou incompatível com o cumprimento da prisão preventiva no cárcere. No despacho da decisão, o juiz informou ainda que o acusado tem tido acompanhamento clínico prisional. A advogada e estudante de Psicologia Anic de Almeida Peixoto Herdy — Foto: Reprodução Anic de Almeida Peixoto Herdy foi vista com vida pela última vez ao sair de um shopping, em Petrópolis, na Região Serrana, no dia 29 de fevereiro de 2024. Ela teria entrado num carro dirigido por Lourival Fatica, ficando sentada na parte traseira do veículo. Segundo as investigações, o casal foi para um motel, em Itaipava, onde o crime ocorreu. Em seguida, o técnico de informática transportou o corpo em um carro e o sepultou na casa onde morava, em Teresópolis. O corpo de Anic foi encontrado pela polícia no dia 25 de setembro de 2024, horas depois de Lourival confessar o crime. Na ocasião, ele prestou depoimento em juízo e contou ter concretado o corpo da vítima. O cadáver foi sepultado na sapata de um muro da casa onde o técnico de informática morava, em Teresópolis. Um relatório de inquérito sobre a segunda fase das investigações da morte da advogada aponta que o técnico de informática premeditou o crime e comprou, horas antes do assassinato, ocorrido entre o fim da manhã e o início da tarde do dia 29 de fevereiro de 2024, em Petrópolis, na Região Serrana, fita isolante e uma abraçadeira (fitilho plástico). Segundo o documento, assinado pela delegada Cristiana Onorato Miguel, que começou a investigar o caso quando estava à frente da 105ª DP (Petrópolis), o primeiro material citado foi usado por Lourival para evitar que a advogada gritasse. Anic Herdy e Lourival Fadiga — Foto: Reprodução Já o segundo objeto foi usado pelo assassino para apertar o pescoço da advogada, que morreu por asfixia mecânica. O relatório também menciona que uma algema teria sido usada para impossibilitar uma reação de Anic. Já um inquérito, instaurado a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para apurar denúncia apresentada pelo técnico de informática, que alegou ter assassinado a advogada a mando de Benjamim Cordeiro Herdy, marido da estudante, não encontrou provas de que a alegação era verdadeira. Segundo Lourival informou, ao ser ouvido na Vara Criminal de Petrópolis, quando confessou o crime, em setembro de 2024, câmeras de segurança da casa de Benjamim teriam flagrado uma conversa em que o esposo da vítima encomendaria o crime. O resultado de uma perícia, feita nas câmeras da residência, mais precisamente nas posicionadas numa varanda, não encontrou imagem da suposta conversa ou negociação. Último momentos de vida de Anic de Almeida Peixoto Herdy:ela foi vista saindo de um shopping em Petrópolis, na Região Serrana — Foto: Reprodução O relatório informa que Lourival, após matar Anic em um motel, em Itaipava, no município de Petrópolis, comprou cimento para concretar o corpo e sepultar a vítima em pé, na sapata de um muro da casa onde morava, em Teresópolis. Em seu depoimento prestado à Justiça, Lourival alegou que usou o fitilho plástico para apertar o pescoço da advogada na tentativa de estancar o sangue da vítima, após ele ter desferido um soco na traqueia da estudante. Na noite do dia 29 de fevereiro de 2024, horas após Anic ter sido morta, Benjamim Cordeiro Herdy recebeu, em seu telefone, uma mensagem de texto exigindo R$ 4,6 milhões pelo resgate da mulher. Parte do dinheiro foi paga em bitcoin e em quantias depositadas em 40 contas de doleiros e comerciantes do Paraguai. No dia 11 de março, o pagamento foi totalmente concluído com dinheiro em espécie. Na ocasião, Lourival usou R$ 500 mil em espécie para comprar uma picape de luxo. Outra parte do resgate foi usada para adquirir uma motocicleta e ainda 950 celulares. Esta última compra foi feita numa loja de um comerciante, no Paraguai. Como Anic não regressou, a família da vítima registrou o caso na 105ª DP (Petrópolis) no dia 14 do mesmo mês. Dias depois, Lourival foi preso. Ele era considerado amigo e responsável pela segurança da família da vítima. Por conta disso, apresentava-se como policial federal, sem nunca ter feito parte da corporação, e chegava a acompanhar a advogada e o marido em viagens pelo Brasil. O MPRJ chegou a tipificar o caso como extorsão mediante sequestro com resultado morte. Mas, após um aditamento da denúncia, tipificou o crime como homicídio triplamente qualificado e extorsão. Os irmãos Maria Luiza e Henrique Vieira Fadiga, filhos de Lourival, e Rebecca de Azevedo Souza, ex-namorada do técnico de informática, chegaram a ser presos por suspeita de participarem, de alguma forma, da trama que acabou com a morte de Anic. Eles, no entanto, foram soltos e aguardam em liberdade o andamento do processo.