A imagem de António José Seguro voltou a ser utilizada num vídeo gerado por inteligência artificial (IA) nas redes sociais. No primeiro caso, identificado pelo PÚBLICO em Fevereiro, uma versão artificial do Presidente anunciava um falso apoio social. Agora, incentiva os utilizadores a fazerem investimentos financeiros.Na deepfake — termo que define um vídeo manipulado com recurso a inteligência artificial (IA) para mostrar algo que nunca aconteceu —, que circula no Facebook desde esta segunda-feira, é apresentado um suposto “projecto oficial” de cariz financeiro. Neste, promete-se na publicação, as pessoas podem depositar 250 euros numa conta e este dinheiro render-lhes-á mil euros por dia. Ou seja, 30 mil euros por mês.

Screenshot da publicação com o vídeo falso de António José Seguro

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Mas o conteúdo é falso, o Presidente nunca gravou um anúncio do género. O responsável pela criação do conteúdo de desinformação terá utilizado o vídeo da mensagem de Ano Novo de Seguro, ainda como candidato, na sua conta oficial de YouTube, como base para a manipulação.O padrão da gravata que Seguro usa e o posicionamento dos quadros na parede atrás de si é igual, tal como a sua postura corporal. Observando os dois vídeos, lado a lado, também se percebe que o movimento das mãos é praticamente idêntico em ambos.No entanto, o áudio é completamente diferente e o movimento da boca de Seguro foi editado para corresponder ao texto que é dito na publicação do Facebook. No vídeo manipulado, a versão artificial de Seguro refere ainda que “o projecto Cubiquante AI [grafia usada nas legendas] é apoiado pelo Governo e pelo Banco de Portugal” e, por isso, “todos os utilizadores estão abrangidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos”.Na realidade, segundo o site oficial do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), “estão abrangidos pela garantia prestada pelo FGD os depósitos constituídos em Portugal” junto de dois tipos de entidade. Ou “instituições de crédito com sede em Portugal autorizadas a receber depósitos”, ou “sucursais em Portugal de instituições de crédito com sede em países que não sejam membros da União Europeia, relativamente aos depósitos captados pelas suas sucursais em Portugal”. O suposto projecto não figura na lista de entidades participantes no site do FGD.