PUBLICIDADE Prefeito disse que 'não há nada de errado' na prestação de serviços, rebateu alegações de superfaturamento e de direcionamento na contratação Prefeito Ricardo Nunes no Roda Viva — Foto: Reprodução/TV Cultura RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 13:14 Prefeito de SP nega irregularidades em contrato com ONG investigada O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, negou irregularidades em contrato com a ONG Instituto Conhecer Brasil, ligada à produtora de "Dark Horse". A Polícia Civil investiga suspeitas de superfaturamento e uso indevido de recursos públicos. Nunes afirmou que o programa WiFi Livre SP foi auditado e aprovado, e questionou o momento das investigações, sugerindo uma possível motivação política ligada ao filme. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), negou irregularidades no contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme "Dark Horse". Nesta segunda-feira (1º), a Polícia Civil deflagrou a Operação Wi-Fi, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Karina, da ONG e da produtora, e também na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Segundo a polícia, há suspeitas de desvios de dinheiro público, fraude na licitação e irregularidades na execução do contrato. — Toda investigação vai ter todo apoio da Prefeitura de São Paulo. E, até o momento, nós não identificamos nada de irregularidade. Eu já pedi por duas vezes na última semana para poder rever todo o processo. E o que eu tive da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado dentro do processo de contratação — afirmou em coletiva de imprensa após a entrega de unidades habitacionais no Centro da capital. O prefeito afirmou que o programa WiFi Livre SP teve como finalidade que "a população pobre pudesse ser incluída" na conexão digital, e que foi feito um chamamento público que teve aval do Tribunal de Contas do Município (TCM). Ele afirmou que a prefeitura não pagou por 5 mil pontos, mas por 3.200 pontos, diferentemente do que apontou a Polícia Civil. Outro ponto que aparece nas investigações da Polícia e que foi refutado por Nunes refere-se às suspeitas de superfaturamento do contrato com o ICB. Segundo as apurações, o instituto cobrou R$ 1.800 por ponto de internet, enquanto a Prodam, empresa pública de tecnologia do município, cobraria R$ 230. Segundo o prefeito, a Prodam cobraria mais e não teria como fazer a implementação em zonas mais afastadas da cidade. — Foi feita toda uma pesquisa de preço e ficava muito mais alto, ficava R$ 2 mil e pouco por ponto. Hoje, estamos pagando R$ 1.280. "Ah, a Prodam comprava R$ 200, R$ 300". Nunca aconteceu isso, não existe isso. Eu não sei de onde tiraram isso. Agora, nesse exato momento, dos 3.200 pontos, 3.083 ativos e 117 offline. O que é lógico. Entre 3.200 pontos você vai ter alguns offline, cai energia, quebra o aparelho. Isso aqui vai mudando todos os dias — falou. O prefeito negou direcionamento no contrato, e disse que o chamamento público ficou aberto por 30 dias, e no período somente o instituto de Karina fez a proposta para tocar o serviço, e ainda apontou eventual conotação política na investigação. — Durante 30 dias, nenhuma outra entidade quis participar. Ainda bem que essa entidade se propôs, dentro daqueles moldes de colocar pontos dentro das favelas, das comunidades. Ainda bem que ela participou e a gente pôde instialar e ter hoje 3.200 pontos dentro das comunidades - disse. Nós não identificamos até o presente momento nenhum processo. Eu acho que isso está mais por conta de que a pessoa que é dessa entidade, ela participa do filme do (Jair) Bolsonaro. Por que é que só agora veio essa questão? — indagou. Nunes ainda ressaltou que a contratação do Instituto Conhecer Brasil pela prefeitura foi feita em junho de 2024, enquanto a produtora Go Up Entertainment, que produz "Dark Horse", só comunicou à SPCina de que faria a gravação do filme sobre Jair Bolsonaro na cidade em outubro de 2025. Ele apontou que "não existe relação por parte da Prefeitura de São Paulo" com o filme. E disse que "não há problema" no fato de Karina ser produtora do filme e ter uma ONG que presta serviços à gestão municipal ao mesmo tempo – Qual o problema? Se eventualmente a questão é política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave. Aí eu acho que precisa ter um outro tipo de apuração. Se por acaso tem uma conotação política partidária, é grave. Eu acho que ninguém merece ser investigado porque ela tem uma preferência política A ou B — falou. Suspeitas de 'confusão patrimonial' Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que, na semana passada, a Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) forneça relatórios de inteligência financeira detalhados sobre as movimentações financeiras de Karina e de suas empresas. Ainda não houve decisão judicial sobre este ponto. A operação desta segunda foi autorizada pela Vara de Garantias da 1ª Região Administrativa Judiciária (RAJ) da capital. No documento em que pede a quebra de sigilo bancário da empresária à Justiça, ao qual o GLOBO teve acesso, o delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, titular da 2ª Delegacia da Divisão de Crimes contra a Administração, argumenta que há “suspeitas de confusão patrimonial” e de uso de recursos público do programa “WiFi Live SP” tenham sido desviados para a produção do filme por meio da utilização “das contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”. Isso porque o ICB foi contratado para instalar os pontos de internet gratuita nas ruas, mas como não é uma empresa de tecnologia, subcontratou serviços com diversas empresas. Ao todo, as subcontratações somam R$ 98 milhões. Dentro deste valor, está incluido um pagamento de R$ 36 milhões à empresa Make One, R$ 30 milhões à UltraIP e cerca de R$ 12 milhões às empresas Complexys e Fast Future, que seriam pertencentes a um mesmo casal “associado à investigada Karina Ferreira da Gama”. O valor gasto com a produção de Dark Horse chamou a atenção pelas cifras vultosas, já que custou mais do que produções nacionais recentes indicadas ao Oscar, como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. Outro problema, aponta o delegado no documento, é que a entidade não tinha “qualquer capacidade técnica para telecomunicações”, e que cobrou pelo serviço um valor muito superior ao praticado pela própria empresa pública municipal de tecnologia, a Prodam — que cobra R$ 230 por implantação por ponto e R$ 306 para manutenção mensal, enquanto o ICB cobrou R$ 1.800 por ponto.