Israel amplia área ocupada no Líbano, com expulsão de libaneses de suas casas, em meio ao cessar-fogo, afirma Guga Chacra em newsletter especial Bandeira de Israel é hasteada no Castelo de Beaufort, fortaleza medieval no sul do Líbano, em novo episódio de avanço da ocupação israelense — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 06:57 Israel Expande Ocupação no Líbano e Intensifica Conflito com Hezbollah Israel expandiu sua ocupação no Líbano, tomando o Castelo de Beaufort, um ponto estratégico e simbólico, e expulsando libaneses de suas casas. A movimentação intensifica o conflito com o Hezbollah e desafia o cessar-fogo em vigor. Ações israelenses, vistas como punições coletivas, geraram milhares de mortes. Negociações entre Líbano e Israel buscam desarmamento do Hezbollah e desocupação das forças israelenses, mas pouco progresso foi feito. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Forças israelenses ampliaram suas operações militares dentro do Líbano, ampliando a área de ocupação, e tomaram uma fortaleza militar conhecida como Castelo de Beaufort. É uma construção com um milênio de história e importância estratégica e simbólica, localizada no sul do Líbano e chamada de Qaalat al Shafiq pelos habitantes da região. Ocupação anterior – Não foi a primeira vez que Israel tomou o castelo. Ao longo dos 18 anos de ocupação do sul do Líbano, entre 1982 e 2000, a fortaleza também esteve sob controle israelense. Inicialmente, o local foi usado para combater milícias palestinas e esquerdistas libanesas que lutavam contra Israel. Ao longo dos anos, com o surgimento do Hezbollah, o grupo xiita passou a ser o alvo, como ocorre agora. Um milênio de disputas – Os cruzados construíram o Castelo de Beaufort em 1139 sobre uma construção já existente no mesmo local. Saladino conquistou a fortaleza em 1190, mas voltaria para as mãos dos cruzados. Os muçulmanos recuperariam no final do século 13 e a fortificação passaria por diferentes mãos até a independência do Líbano em 1943. Ampliação da ocupação – O castelo possui uma vista ampla para os territórios de Líbano e de Israel. Está ao norte do rio Litani, não muito distante de Nabatieh, cidade mais importante da região e quartel-general do Hezbollah. A ação confirma as intenções de Benjamin Netanyahu de ampliar a ocupação israelense do território libanês, indo bem além dos 10 quilômetros da fronteira entre os dois países. Punições coletivas – Netanyahu afirmou que a conquista do castelo é um divisor de águas no conflito. As forças israelenses ordenaram que todos os libaneses ao sul do rio Zahrani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira, deixem suas casas — na prática uma expulsão. Na faixa de até 10 quilômetros, quase todos os vilarejos foram destruídos por Israel. O argumento é combater o Hezbollah, mas fica claro que essas ações são punições coletivas a toda a população do sul. Vítimas – Desde o início desta guerra entre Israel e o Hezbollah, 3.370 libaneses morreram, de acordo com o governo do Líbano. No lado israelense, foram mortos 24 soldados e quatro civis. Supostamente, um cessar-fogo está em vigor há cerca de 50 dias. Mas trata-se de uma ficção, já que Israel e o grupo aliado do Irã seguem lutando normalmente. Na semana passada, os israelenses voltaram a bombardear Dahieh, como é conhecido o subúrbio de maioria xiita no sul de Beirute. Diplomacia – Em Washington, seguem as negociações entre o governo do Líbano e Israel. O lado libanês defende tanto o desarmamento do Hezbollah quanto a desocupação israelense do sul do Líbano. Netanyahu, por sua vez, demanda, além do desarmamento do grupo apoiado pelo Irã, a capitulação total do Líbano e a assinatura de um acordo de paz nos termos israelenses — o que provavelmente implicaria a continuação da ocupação. Pouco avanço – A frente libanesa tem sido também discutida nas negociações entre Irã e EUA. Mas nenhum dos dois lados prioriza esse tema. Além disso, o Irã, empoderado, não pressionará o Hezbollah a se desarmar. Donald Trump, por sua vez, parece não estar disposto a pressionar Netanyahu a desocupar o território libanês. Violações – O atual conflito começou depois de o Hezbollah lançar alguns mísseis em resposta ao ataque dos EUA e de Israel ao Irã. A ação do grupo apoiado pelos iranianos ocorreu em março, depois de mais de um ano de cessar-fogo, iniciado no final de 2024. A trégua anterior foi violada milhares de vezes por Israel, de acordo com a Unifil, as forças de paz da ONU no sul do Líbano. O Hezbollah praticamente não teria cometido violações até o final de fevereiro deste ano. O governo libanês vinha tentando desarmar a organização pela via negociada.