Direção do Ribalta precisou revisar processos e alterar regime de folgas, mas diz que reduziu rotatividade; colaboradores celebram, e alguns afirmam preferir se manter no esquema 12x36 A camareira Cintia de Andrade, do Ribalta, diz que tem aproveitado para realizar sonhos pessoais desde o fim da escala 6x1 no hotel — Foto: Divulgação/Ribalta Hospitalidade RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 19:21 Hotel Ribalta implementa escala 5x2, melhorando clima e retenção O Hotel Ribalta, na Barra, adotou a escala 5x2, antecipando-se ao possível fim da escala 6x1, trazendo melhorias na satisfação dos funcionários e redução na rotatividade. A mudança, que começou em 2022, está em alinhamento com as demandas da geração Z por mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Enquanto algumas áreas mantêm a escala 12x36, a maioria dos setores já opera no novo regime, refletindo uma tendência de humanização no setor hoteleiro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em um setor que funciona sem pausas, e com mais intensidade nos fins de semana, feriados, madrugadas e alta temporada, como o hoteleiro, mudar a lógica da jornada de trabalho parecia improvável. Mas a direção do Ribalta Hotel, na Barra, decidiu testar outro caminho. Antecipando-se ao fim da escala 6x1, em discussão no Congresso, implementou a escala 5x2 para a maioria dos seus funcionários. Com cerca de 70% da equipe no novo regime, o Ribalta diz ter reduzido a rotatividade de funcionários, aumentado a satisfação de hóspedes e atraído mais candidatos para suas vagas. Uma mudança que começou devagar, em 2022, em um contexto de reconfiguração do mercado de trabalho no pós-pandemia. Segundo Neyre Freixo, superintendente de operações da Ribalta Hospitalidade, o hotel percebeu que os funcionários, especialmente os mais jovens, passaram a valorizar mais o tempo livre, além da previsibilidade e do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. — A gente sentiu uma mudança no comportamento, principalmente com a chegada da geração Z ao mercado. Eles têm uma consciência maior sobre descanso, desenvolvimento pessoal e qualidade de vida — observa Neyre. O processo foi gradual. Há três anos o hotel decidiu migrar parte dos setores para o modelo 12x36, comum em segmentos que funcionam de forma ininterrupta. A experiência serviu como um laboratório. Após um ano e meio, começou a nova transição. Hoje, áreas como governança, atendimento, alimentos e bebidas (A&B), administrativo e marketing operam majoritariamente na escala 5x2. Já áreas como recepção, parte da cozinha e manutenção seguem no regime 12x36, pela dinâmica operacional e, em alguns casos, por preferência dos próprios funcionários. Embora a maior parte da equipe do hotel já esteja na escala 5x2, entendimento é que alguns setores ainda não podem aderir ao modelo — Foto: Divulgação/Ribalta Hospitalidade Com 97 colaboradores, o hotel passou por uma necessária revisão de processos, reestruturação de equipes e aumento de quadro para realizar essa transição. Ainda assim, a direção diz que os resultados compensam. — Acreditamos que um time mais descansado, equilibrado e valorizado consegue oferecer experiências melhores para hóspedes, clientes e parceiros. Mudanças como essas exigem investimentos e revisão de processos, mas entendemos isso como parte da construção de uma hotelaria mais humana — diz Giovanna Maura, CEO da Ribalta Hospitalidade. De acordo com a equipe, o novo modelo também dialoga diretamente com transformações culturais recentes. Muitos profissionais passaram a busca tempo para investir em projetos paralelos. — Com a mudança na escala, ganhei tempo com a família e para fazer alguns planos. Acabei de fazer a matrícula na autoescola, consigo fazer algumas viagens com meu marido e agora estou vendo como conciliar o trabalho com a faculdade de enfermagem — revela Cintia de Andrade, camareira que atua na escala 5x2. Neyre Freixo diz que casos como o de Cintia são comuns na equipe. — Temos um funcionário que produz conteúdo digital, outros que fazem cursos, estudam idiomas ou têm pequenos negócios fora daqui. Profissionais que entendem 12 horas seguidas de trabalho como pesadas demais. O 5x2 trouxe maior flexibilidade e melhor qualidade profissional e de vida para todos os envolvidos — diz. Adaptação O Ribalta Hotel, na Barra, adotou o modelo 5x2 para 70% dos funcionários — Foto: Divulgação/Ribalta Hospitalidade Neyre ressalta que o modelo não funciona de forma engessada e que o hotel ainda adapta escalas conforme necessidades operacionais e preferências de determinadas equipes. Segundo ela, “não existe fórmula pronta”. Hoje, o Ribalta possui 17 vagas abertas, sendo 12 delas em escala 5x2 e cinco em 12x36. — Para mim, a escala 12x36 é a mais favorável. É muito bom trabalhar e depois ter um dia inteiro para estar com minha filha e me organizar, marcar uma consulta médica, ir à academia e fazer outras atividades — diz Carla Roberta Batista, atendente líder de A&B do Ribalta. Na prática, a implementação ainda exigiu reorganização das folgas, principalmente aos domingos. Pela legislação trabalhista, mulheres têm direito a folgar ao menos dois domingos por mês, o que impacta diretamente áreas predominantemente femininas, como a governança. Empresários avaliam A adoção do modelo não é consenso na hotelaria. Para Alfredo Lopes, presidente da HotéisRio - Sindicato Patronal de Meios de Hospedagem da Cidade do Rio de Janeiro, o debate da escala 5x2 vem ganhando força entre empresários, mas ainda é tratado com cautela. — Quando você reduz a carga, o impacto financeiro é muito grande, principalmente em setores que trabalham 24 horas, como hotéis. Você precisa contratar mais funcionários para manter a operação em movimento — afirma. Lopes pontua que a discussão de adaptações no trabalho, principalmente diante da pressão crescente sobre temas ligados a saúde mental e qualidade de vida são frequentes no setor. No entanto, não é fácil encontrar estabelecimentos que consigam fazer a transição do Ribalta. Em dezembro passado, o Copacabana Palace, na Zona Sul, anunciou sua adesão à escala 5x2. Lopes não conhece outros exemplos. — A hotelaria trabalha com margem muito apertada. Você aumenta o custo de mão de obra e nem sempre consegue repassar isso para a diária. Existe preocupação, principalmente nos hotéis que dependem de grandes eventos, como carnaval e réveillon — observa.