Um dia, Mayah acorda e decide fugir da própria realidade. Após terminar um relacionamento falido e pedir demissão de uma empresa racista, ela aluga um apartamento tão pequeno quanto a vida que deixou para trás.

É nesse espaço estreito e apertado que Mayah se lança em uma jornada de amadurecimento e autodescoberta. Tal como a Alice escrita por Lewis Carroll, a personagem vivida por Taís Araujo na peça "Mudando de Pele" se vê obrigada a diminuir para finalmente conseguir crescer.

Dirigido por Yara de Novaes, o espetáculo estreia, nesta quarta-feira (3), no Sesc 14 Bis, na região central de São Paulo, após uma temporada bem-sucedida no Rio de Janeiro.

Inspirado no premiado monólogo "Shedding a Skin", da dramaturga britânica Amanda Wilkin, a produção rompe com narrativas que reduzem pessoas negras à violência do racismo. No lugar da dor ou da morte, o que vemos em cena é uma mulher em metamorfose.

"Já se falou muito sobre morte e sofrimento. Está no nosso histórico. Mas a gente não é só isso", diz Araujo. "O absurdo da escravidão faz parte da nossa história, mas não define a gente. Eu me recuso a ser apenas isso."