Chamado de ‘juiz ladrão’ por Gleisi, ex-responsável pela Lava-Jato acusou partido e Lula de ‘defenderem bandidos’ Na eleição do Paraná, Gleisi Hoffman tem o apoio de Lula ao Senado, enquanto Sergio Moro é aliado de Flávio Bolsonaro na disputa pelo governo estadual — Foto: Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 31/05/2026 - 22:10 Designação de facções como terroristas reacende embates no PR A designação das facções Comando Vermelho e PCC como terroristas pelos EUA reavivou embates políticos no Paraná. Gleisi Hoffmann, do PT, criticou Sergio Moro, chamando-o de "juiz ladrão". Moro, pré-candidato a governador, acusou o PT de "defender criminosos". O tema influenciou o cenário eleitoral, com candidaturas lançadas por ambos os lados, destacando a polarização entre esquerda e direita no estado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A repercussão política da classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando Capital (PCC) como terroristas pelos Estados Unidos movimentou o lançamento de candidaturas no Paraná, tanto no campo petista quanto no núcleo do senador Sergio Moro (PL). Chamado de “juiz ladrão” pela ex-ministra Gleisi Hoffmann, que tentará o Senado no estado, o ex-magistrado responsável pela condução da Operação Lava-Jato, pré-candidato a governador, rebateu acusando o PT de “defender criminosos” e de “demonizar” o país governado por Donald Trump. No sábado, um evento petista lançou Gleisi ao Senado e o deputado estadual Requião Filho (PDT) ao Executivo. A ex-ministra afirmou que a esquerda derrotará “a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”, em referência a Moro. Ontem, em meio às citações com foco na medida anunciada pelos EUA, o senador afirmou que a população paranaense “pode ficar tranquila” porque o “projeto” dele de governo vai “bloquear as pretensões do PT” no estado. Moro lançou sua pré-candidatura um dia antes, ao lado do também senador Flávio Bolsonaro (PL), que deve disputar o Planalto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro. A classificação das facções como terroristas é uma pauta cara para o bolsonarismo, que tenta colar a decisão de Trump aos esforços internacionais de Flávio e o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Durante o evento, o ex-juiz também tentou capitalizar o tema: — Nós tivemos ontem um acontecimento extraordinário, que foi, graças ao trabalho do Flávio Bolsonaro, a colocação do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. Eu quero fazer uma pergunta muito séria para vocês. Alguém aqui ficou triste com isso? Alguém aqui defende terrorista? O Lula defende, ele falou isso hoje. Além de Moro, o ato também lançou as pré-candidaturas ao Senado do deputado federal Filipe Barros (PL) e do ex-parlamentar Deltan Dallagnol (Novo), que atuou como procurador na Lava-Jato. Ao discursar, Dallagnol criticou Gleisi, sua provável rival, e usou o resultado das investigações da operação para atacar o partido de Lula. ‘Traidores da pátria’ Do outro lado, que já vinha explorando o que classifica como excessos cometidos no âmbito da Lava-Jato, lembrando decisões anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a disputa de narrativa sobre a classificação das facções como terroristas também se fez presente. Em postagem nas redes sociais pouco depois do anúncio dos EUA, Gleisi endossou o mote de defesa da soberania, que o governo vem utilizando para contrapor a medida. “Mais uma vez a família Bolsonaro mostra que são traidores da pátria, festejando uma ingerência dos EUA no Brasil. Não respeitam nem querem que seja respeitada a soberania nacional”, escreveu Gleisi. No lançamento da pré-campanha, a petista voltou à carga e lembrou a presença de Moro no governo Bolsonaro. O ex-juiz foi ministro da Justiça na gestão do ex-presidente, mas deixou o cargo afirmando que buscava “preservar a biografia”. Ele acusou o então titular do Planalto de tentar interferir politicamente na Polícia Federal (PF) em benefício de familiares. — Ele acusou o Bolsonaro de interferência na PF. Que queria proteger o filho dele, envolvido com milícias. Saiu do governo e agora voltou. Mostrando que nunca quis combater a corrupção. Sempre foi um projeto de poder. É um biruta de aeroporto — atacou Gleisi. Ao discursar, a ex-ministra enfileirou menções ao anúncio dos EUA sobre as quadrilhas nacionais. Assim como já havia feito Lula, ela buscou colocar as organizações como “terrorista nas localidades”, agindo contra a população, salientando, no entanto, possíveis riscos que a medida poderia trazer aos brasileiros. — Falam em segurança quando fazem aliança com as milícias. Aliás, esse negócio de declarar que PCC e Comando Vermelho são terroristas, o Bolsonaro devia ter declarado. Ele ficou quatro anos governando esse país. Por que não declarou? — questionou a petista. Das críticas à paz Após deixar a gestão de Bolsonaro entoando críticas, Moro vem se reaproximando do grupo político do ex-presidente desde o início do ano, com vistas à disputa eleitoral no Paraná. Os movimentos incluíram a troca do União Brasil pelo PL, sigla de Bolsonaro e dos filhos. A presença de Flávio no ato de lançamento de pré-campanha é vista como mais um degrau que sela a paz entre as duas partes. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Moro tem como principais rivais Requião Filho, que era do PT até o ano passado, e o ex-secretário estadual de Infraestrutura Sandro Alex (PSD). Aposta do governador Ratinho Junior (PSD), que ostenta índices de aprovação elevados e desistiu de concorrer à Presidência da República para ter mais chances do aliado, Alex vem enfrentando dificuldades até o momento. A pesquisa Genial/Quaest mais recente, divulgada em abril, mostra Moro em primeiro lugar nos dois cenários estimulados testados para a disputa ao governo do Paraná, variando entre 35% e 42%. Requião Filho tem entre 18% e 24%, enquanto Sandro Alex varia entre 5% e 6%. O ex-juiz também lidera as sondagens de segundo turno. Já Gleisi deixou a Secretaria de Relações Institucionais de Lula em abril para disputar o Senado. Inicialmente, ela planejava concorrer novamente a deputada federal, uma eleição vista como mais certeira pela maior quantidade de cadeiras em jogo. A ex-ministra, no entanto, foi escalada para tentar robustecer o palanque do presidente no Paraná, onde ele recebeu menos de 40% dos votos em 2022. A costura com Requião Filho, filho de Roberto Requião, governador do estado por três mandatos, levou à composição de uma chapa definida por aliados como “muito competitiva”. A mesma Genial/Quaest mostrou o ex-deputado Alvaro Dias (MDB) numericamente à frente para o Senado, com 16% no cenário principal. Ele é seguido por Dallagnol (13%) e Barros (10%); pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (10%), aliado de Ratinho Jr.; e por Gleisi (10%).
Designação de CV e PCC como terroristas pelos EUA faz PT e Moro reeditarem embates
Chamado de ‘juiz ladrão’ por Gleisi, ex-responsável pela Lava-Jato acusou partido e Lula de ‘defenderem bandidos’
















