Após o fim da Guerra Fria, com o colapso soviético de 1991, o mundo assistiu à ascensão de uma forma de resolução de conflitos que parecia adequar-se à geopolítica que surgia, mais dispersa e multilateral.
Sob a égide da ONU, as forças de paz ganharam relevância renovada, e outros entes multilaterais passaram a operar da mesma forma. No zênite do modelo, em 2016, os chamados capacetes azuis das Nações Unidas eram 70% dos 153 mil militares em 61 ações do tipo no mundo.
Esse, nem de longe, foi um processo perfeito, refletindo a inoperância e a burocracia que marcam a ONU. A impotência dos mandatos, causada por objeções políticas de países-membros, contribuiu para tragédias como a dissolução desordenada da Iugoslávia e o genocídio de Ruanda, nos anos 1990.
Ainda assim, as missões serviram pontualmente de ativo político para atores da periferia, como o Brasil à frente da discutível ação no Haiti (2004-17). Já nações ricas delegaram o trabalho, e hoje os dez maiores contribuintes dos quadros da ONU são países pobres ou emergentes.
Como nota um novo estudo do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri) sobre o tema, mesmo defeituosas, as missões sugeriam a adoção de um regramento internacional mais equânime, que desestimularia guerras.












