O número de militares envolvidos em missões de paz lideradas pela ONU, outras organizações ou países caiu pela metade em uma década, e 17% somente de 2024 a 2025. Com dificuldades de financiamento, o modelo de manejo de conflitos armados prevalente no mundo neste século está em crise.

É o que mostra um novo estudo do Sipri (Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo), lançado para marcar o Dia das Forças da Paz da ONU, que será celebrado na próxima sexta-feira (29).

Lembrado com preocupação talvez seja o termo mais exato. Como o trabalho feito pela brasileira Claudia Pfeifer Cruz e pelo holandês Jaïr van der Lijn diz, "as perspectivas para a gestão multilateral de conflitos não são boas".

Os números falam por si. Em 2016, ápice do modelo, havia 152.803 militares envolvidos em 61 missões de paz, 22 lideradas pelos famosos capacetes azuis da ONU. Desse número, 42,8 mil fardados serviam nas restantes, comandadas por entes multilaterais ou países diretamente envolvidos nas crises.

Uma década depois, são 78.633 envolvidos em 58 operações, 18 das quais chefiadas pelas Nações Unidas. Ao todo, 34 países são objeto de missões, alguns com mais de uma.