O álbum Desmanche (2019), o quarto de Buhr, foi um trabalho forte e político que virou um marco na carreira da cantora e compositora. Sete anos depois, ela apresenta Feixe de Fogo, com uma nova sonoridade.

“Sempre faço voz e percussão. Em Desmanche, resolvi trazer isso mais para frente. Foi um disco mais percussivo, e agora deu vontade de ir para o outro lado”, contou, em entrevista a CartaCapital. “É um disco cheio de sintetizadores e guitarra. Tem a percussão também, mas ela está mais misturada.”

Karina Buhr, agora apenas Buhr — reforçando sua identidade de pessoa não-binária —, chamou Rami Freitas para coproduzir Feixe de Fogo por sua relação estreita na busca por timbres e adoção de sintetizadores.

Para dar peso ao novo trabalho e fortalecer o redirecionamento sonoro, Burh convidou instrumentistas de peso para gravar: maestro Ubiratan Marques (sintetizadores e arranjos de metais e de violoncelo), Arto Lindsay, Fernando Catatau e Edgard Scandurra (os três na guitarra), e Dadi (baixo).

O disco também tem a participação no vocal de Moon Kenzo, Josyara, Negadeza e Russo Passapusso. O conjunto de 11 faixas revela mais uma vez a independência da cantora para impor suas ideias. “Tem muita música diferente uma da outra”, resume. “Para mim, está tudo misturado.”