Cinco anos. Foi disso que Ana Castela precisou para deixar de ser um vídeo viral, alguns segundos em que surge cantando na montaria, para se tornar figura incontornável da atual música sertaneja brasileira —e ganhar tempo de tela que vai de parcerias com medalhões a inúmeras campanhas publicitárias. O encanto da estreia de conto de fadas, contudo, vai perdendo fôlego, e seu segundo álbum, "Fire Arena", dá mostras de uma cantora talentosa, mas incapaz de tomar as rédeas do jogo.

O disco teria peso se tivesse sido lançado há uma década por um selo dos Estados Unidos, ali pelas bandas de Nashville, com alguma cantora de nome bem à moda do sul daquele país, tipo Kacey Musgraves.

Ana Castela, porém, é brasileira, vem da fronteira com o Paraguai, seu rodeio é o Barretão e sua música ecoa dos limites do Chaco à ponta do Matopiba. Lançar um disco de country, ainda que ela e seu time sejam versados no fazer do gênero, é almejar um ideal do Norte no Sul. Pode ser divertido, mas não marca.

Não que a cantora devesse se ater a outro ideal do campo: clichês da viola, um dito som da roça, a prosaica vida caipira —um míope discurso urbano. É justamente o oposto. O agronejo, cuja estrela é a própria Ana, surge nesse ímpeto.