Os sachês de nicotina hoje promovidos pela indústria como alternativa ao cigarro têm origem em um tipo de tabaco sem combustão consumido na Suécia desde o século 18, os chamados snus.

Enquanto o produto tradicional sueco é recheado com tabaco, o chamado "snus branco" costuma ter apenas nicotina, além de aditivos de sabor e aroma. Mas ambos são consumidos da mesma forma, colocados entre a gengiva e o lábio.

Proibida no Brasil, a venda de sachês de nicotina tem crescido no mercado informal e entrou na mira regulatória da Anvisa, que deve decidir se mantém a proibição ou regula o produto, buscado também por quem quer parar de fumar. Estudos apontam, porém, que, além do risco de dependência, os sachês estão associados a maior risco de câncer de boca, câncer de pâncreas e doenças cardiovasculares.

Há ainda mais evidências sobre os riscos para a saúde do snus de tabaco. Uma análise de oito estudos prospectivos com mais de 169 mil participantes, publicada em 2020 no International Journal of Epidemiology, apontou que homens não fumantes que usavam snus apresentavam risco 27% maior de morrer por doença cardiovascular do que aqueles que nunca haviam consumido tabaco.

Quanto as sachês de nicotina, mais recentes, faltam estudos independentes que possam prever seus riscos no longo prazo. O mercado, enquanto isso, cresce de forma acelerada, e as vendas no varejo ultrapassaram 23 bilhões de unidades em 2024, aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior, movimentando quase US$ 7 bilhões (R$ 36,4 bilhões) em 2025, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).