Julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel começou já dura três dias — Foto: Gabriel de Paiva RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/05/2026 - 15:54 Caso Henry Borel: Debate Médico-Legal Domina Tribunal em RJ No julgamento do caso Henry Borel, advogados de acusação e defesa mergulharam em conceitos de medicina legal para debater laudos sobre a causa da morte do menino. Enquanto a acusação alega agressão, a defesa sugere que ferimentos podem ter ocorrido durante tentativas de reanimação. Especialistas discordam, descartando a hipótese de acidente doméstico e questionando a compatibilidade das lesões com manobras de reanimação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em meio a depoimentos emocionados, relatos de agressões e lembranças dos últimos dias de vida de Henry Borel, uma outra disputa vem dominando o plenário do II Tribunal do Júri do Rio: a guerra dos laudos médicos. Para sustentar teses opostas sobre a morte do menino, advogados de acusação e defesa mergulharam em conceitos de medicina legal, anatomia e protocolos hospitalares. Um dos principais defensores de Jairinho, Zanone Junior, resumiu o desafio ao comentar a estratégia adotada pela banca. — Nós estudamos medicina para pisarmos aqui nessa corte de justiça — afirmou o advogado antes do início da sessão deste sábado. A frase ajuda a explicar o rumo que o julgamento tomou nos últimos dias. Mais do que discutir versões sobre o que aconteceu no apartamento onde Henry vivia com a mãe e o então padrasto, acusação e defesa passaram a travar uma batalha técnica sobre hemorragias, lesões internas, reanimação cardiopulmonar, edema cerebral, temperatura corporal e até protocolos de necropsia. A principal divergência envolve justamente a causa das lesões que levaram à morte do menino. Enquanto o Ministério Público e a acusação sustenta que Henry foi vítima de agressões, a defesa de Jairinho tenta demonstrar que parte dos ferimentos pode ter sido provocada durante as tentativas de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or. A estratégia ficou evidente durante os depoimentos do perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes e do médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, ouvidos no quinto dia do júri. Durante horas, os advogados discutiram conceitos normalmente restritos a médicos e especialistas. Ao comentar os documentos médicos do caso, Zanone afirmou que sua equipe se debruçou sobre exames, laudos e literatura especializada — incluindo os livros publicados pelas testemunhas — para questionar lacunas que, segundo a defesa, ainda permanecem sem resposta. — Qual que era a temperatura do Henry na hora que chegou? E duas horas depois, qual que era? — disse Zanone. Segundo Zanone, a defesa pretende demonstrar aos jurados que existem inconsistências em documentos hospitalares e periciais produzidos ao longo da investigação. Entre os pontos levantados por ele estão a ausência de fotografias específicas da necropsia, informações sobre a laceração hepática apontada no laudo e registros médicos produzidos durante o atendimento no Barra D’Or. Do outro lado, os peritos ouvidos pelo Ministério Público reforçaram que as lesões encontradas não seriam compatíveis com manobras de reanimação nem com um acidente doméstico. — O acidente doméstico está totalmente descartado. Não existe um acidente doméstico. Isso é uma coisa fantasiosa — afirmou Luiz Carlos Leal Prestes aos jurados. O perito também rejeitou a hipótese de que a massagem cardíaca pudesse explicar os ferimentos mais graves identificados no corpo de Henry. — A massagem cardíaca bem feita não provoca lesões no fígado.