O banner dentro da farmácia em Ciudad del Este, no lado paraguaio da fronteira com o Brasil, já deixa claro como funciona o comércio. Basta comprar uma caneta emagrecedora e marcar o estabelecimento nas redes sociais para ganhar um brinde. Em outro lugar, na compra de três unidades de 15 mg do mesmo medicamento, o cliente ganha uma unidade do remédio em sua versão de entrada, de 2,5 mg.

Ciudad del Este, com cerca de 300 mil habitantes, é o segundo município mais populoso do Paraguai, atrás apenas da capital, Assunção, e funciona como um grande centro de distribuição de produtos para atender principalmente o mercado brasileiro.

Foi o que a reportagem constatou nas farmácias paraguaias em que esteve. Em todas, o movimento em busca de medicamentos emagrecedores era de compradores brasileiros. O Paraguai tem cerca de 7 milhões de habitantes, pouco mais de 3% da população do Brasil.

Proibidas de serem comercializadas no Brasil, canetas emagrecedoras à base de tirzepatida —princípio ativo do Mounjaro— vendidas no Paraguai se espalharam pelo país. Os motivos são os preços baixos, a facilidade de compra no país vizinho e a fiscalização deficiente na principal porta de entrada de produtos contrabandeados.