O medicamento está em caráter experimental e, portanto, oficialmente não existe no mercado. Ainda assim, as apreensões de canetas emagrecedoras de retatrutida no lado brasileiro da fronteira com o Paraguai tornaram-se comuns nos últimos meses. Agentes de repressão já preveem um boom de unidades retidas, assim como ocorreu com a chegada da tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro).

Na maioria das apreensões do "Mounjaro do Paraguai", como a tirzepatida é conhecida em Ciudad del Este, também há canetas ou ampolas da suposta retatrutida. Em menor quantidade, até por ser um medicamento que ainda não foi aprovado em nenhum país e também pelo preço.

Embalagens apreendidas em Foz do Iguaçu e vistas pela Folha na sede da Receita Federal indicam a Alemanha ou mesmo o Paraguai como países de procedência da retatrutida, mas o local real de produção é incerto, afirmam os fiscais. Enquanto a dosagem máxima da tirzepatida paraguaia custa em média US$ 85 (cerca de R$ 440), a caneta de retatrutida tem preços a partir de US$ 105 (R$ 546).

A retatrutida é agonista dos receptores GLP-1, GIP e glucagon, capazes de promover saciedade —retardando o esvaziamento gástrico— e atuar no metabolismo.

Só que, diferentemente da tirzepatida, ela não é encontrada nas farmácias e seu mercado é totalmente clandestino. Em sete farmácias da cidade paraguaia visitadas pela Folha, funcionários disseram não trabalhar com o medicamento.