Substância ainda está em testes clínicos, ou seja, não teve a segurança e a eficácia confirmadas e não pode ser vendida no Brasil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Susana Werner revela tratamento com retatrutida, caneta emagrecedora que não é aprovada pela Anvisa. — Foto: Reprodução / Instagram RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 10:58 Susana Werner usa substância em teste e não aprovada pela Anvisa Susana Werner iniciou tratamento com retatrutida, substância emagrecedora não aprovada pela Anvisa e em testes clínicos, portanto, sem segurança e eficácia confirmadas. A venda é proibida no Brasil, mas a circulação de versões irregulares preocupa as autoridades de saúde, devido aos riscos à saúde. A Anvisa intensificou ações para coibir a importação e comercialização ilegal desses medicamentos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A ex-atriz e empresária Susana Werner compartilhou nas redes sociais ter dado início a um tratamento com retatrutida, substância que não foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil e, por isso, tem a venda proibida no país. A molécula, que está em fase de estudos clínicos, não chegou a receber o aval ainda em nenhum outro país, pois os testes que confirmam a sua segurança e eficácia ainda não foram concluídos. A retatrutida é uma substância desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, dos Estados Unidos, que pertence à mesma classe de medicamentos da semaglutida, do Ozempic e do Wegovy, e da tirzepatida, do Mounjaro: os análogos de GLP-1. Essas medicações são indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e para quadros de obesidade ou sobrepeso com ao menos uma comorbidade associada a ele, como hipertensão. No entanto, o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro tiveram as três etapas dos estudos clínicos concluídos, e os dados foram analisados pelas agências reguladoras, como a Anvisa, antes de terem a sua comercialização permitida. A retatrutida, por outro lado, ainda está em testes, ou seja, não foi comprovada ainda se tratar de uma molécula segura. Por isso, qualquer venda da substância no Brasil é ilegal. Diante da elevada circulação, a Anvisa emitiu resoluções proibindo especificamente todas as versões da retatrutida. Medicamentos que não têm registro no país podem ser importados de forma excepcional e para uso exclusivamente pessoal apenas mediante prescrição médica e cumprimento de requisitos específicos. No entanto, quando os produtos são alvo de proibições, essa possibilidade também fica suspensa. A medida foi importante devido à entrada de medicamentos que alegam ser retatrutida pelo Paraguai, onde as regras para fabricação e venda de remédios sem aprovação são mais brandas do que no Brasil e em outros países. A Anvisa também proibiu expressamente marcas paraguaias de tirzepatida e semaglutida, como Synedica; TG; T.G. 5; Lipoless; Lipoless Eticos; Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar, que também não foram aprovadas no Brasil. No país, têm aval da Anvisa para venda apenas as versões de semaglutida vendidas como Ozempic, Wegovy, Poviztra, Extensior e Ozivy. Já no caso da tirzepatida, a única formulação aprovada é o Mounjaro. No entanto, tem crescido também a circulação de versões irregulares fabricadas em farmácias de manipulação. Substâncias aprovadas pela Anvisa podem ser manipuladas para casos específicos, como dosagens ou apresentações necessárias para um determinado paciente que não são comercializadas pelas fabricantes. Por serem personalizadas, farmácias de manipulação não podem ter estoques dos remédios ou fazer propagandas, apenas preparar o produto mediante prescrição médica. Devido aos altos preços, porém, farmácias de manipulação têm aproveitado a popularidade dos remédios e oferecido produtos que supostamente seriam a mesma formulação a preços mais em conta. Mas, devido à complexidade de fabricação do insumo, especialistas argumentam que dificilmente se tratam do medicamento. Esses produtos não são analisados pela Anvisa, logo não há como saber se é, de fato, o remédio e se a formulação é adequada e segura. Riscos da retatrutida irregular Diferentes autoridades de saúde pelo mundo têm demonstrado preocupação com a circulação de versões irregulares da caneta, manipuladas ou sem aprovação, com o objetivo de perda de peso. Nesta semana, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, emitiu um alerta sobre a prática ser “arriscada para os pacientes, já que versões não aprovadas não passam pela análise da FDA quanto à segurança, eficácia e qualidade antes de serem comercializadas”. Em abril, o governo canadense também publicou um alerta semelhante, em que cita a circulação irregular de retatrutida no país e destaca que medicamentos não autorizados pelas agências reguladoras podem levar a riscos como desequilíbrio hormonal, alterações de humor, desregulação da glicemia, danos ao fígado ou aos rins, coágulos sanguíneos e crescimento de tumores cancerígenos. Além disso, também podem levar a infecções, reações alérgicas e outras complicações graves; conter quantidade excessiva, insuficiente ou nenhuma do ingrediente ativo; conter ingredientes não listados, perigosos ou desconhecidos; conter contaminantes, como solventes, metais pesados, partículas (fibras, vidro, plástico) ou microrganismos (bactérias, fungos, endotoxinas); ser fabricados ou armazenados de maneira inadequada e interagir com outros medicamentos ou produtos de saúde que você possa estar utilizando. No Brasil, em abril, a Anvisa e a Polícia Federal (PF) deflagraram a Operação Heavy Pen, com o objetivo de reprimir a entrada irregular no país, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de medicamentos e insumos farmacêuticos destinados ao emagrecimento. Foram realizadas ações nos estados do Acre, Espírito Santo, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, de Roraima, do Rio Grande do Norte, de São Paulo, de Sergipe e de Santa Catarina para impedir a fabricação e comercialização de canetas emagrecedoras irregulares, incluindo a retatrutida. Em outubro do ano passado, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido também desmontou um esquema de fabricação ilícita dos medicamentos, apreendendo dezenas de milhares de canetas vazias para emagrecimento prontas para serem preenchidas, ingredientes químicos brutos e mais de duas mil canetas não autorizadas de retatrutida e tirzepatida. — As pessoas devem ser extremamente cautelosas ao comprar medicamentos online. Medicamentos prescritos só devem ser obtidos em uma farmácia registrada, mediante receita emitida por um profissional de saúde. Tomar medicamentos prescritos obtidos de qualquer outra forma representa riscos sérios à saúde, não há garantias sobre o que eles contêm, e alguns podem até estar contaminados com substâncias tóxicas — disse Andy Morling, chefe da Unidade de Fiscalização Criminal da agência, na ocasião.