O Grupo Toky, dono das lojas Tok&Stok e Mobly, apresentou um prejuízo líquido consolidado de R$ 75,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma piora de 71,9% frente o prejuízo reportado um ano antes, segundo resultados divulgados nesta sexta-feira (29). O prejuízo atribuído a sócios da empresa controladora totalizou R$ 56,8 milhões, piora anual de 75%. A companhia ajuizou, há duas semanas, uma pedido de recuperação judicial com dívidas que somam R$ 1,1 bilhão O grupo teve receitas de R$ 309,4 milhões entre janeiro e março deste ano, retração de 18,9% na comparação anual. O volume bruto de mercadorias (GMV) consolidado foi de R$ 418,6 milhões no trimestre, uma diminuição de 15,7% em comparação com os primeiros três meses de 2025. “As dificuldades que já noticiamos que a companhia enfrentou em relação aos problemas de abastecimento que resultaram em restrições temporárias nos níveis de estoque, comprometeram significativamente a disponibilidade de itens para venda impactando diretamente na liquidez a curto prazo do grupo”, explicou a companhia em comunicado que acompanhou o balanço. Além disso, o grupo ressaltou que o cenário atual é de “forte retração do consumidor” devido à pressão financeira dos juros elevados e ao alto endividamento do consumidor. “Esses fatores em conjunto contribuíram para a forte queda na receita do primeiro trimestre, porém a expectativa da companhia é de reorganizar sua estrutura de operações pensando na reestruturação financeira através do pedido de recuperação judicial”, acrescenta a administração. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do Grupo Toky atingiu R$ 14,2 milhões no trimestre, representando uma queda de 73,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, com retração de 9,3 pontos percentuais na margem. No primeiro trimestre de 2026, o resultado financeiro registrou uma despesa de R$ 50,2 milhões, piora anual de 10,2%. O aumento das despesas financeiras no período decorreu, principalmente, dos encargos relacionados ao endividamento assumido na aquisição da Tok&Stok, além das despesas com juros provenientes das operações de antecipação de recebíveis, realizadas no contexto de maior restrição de liquidez e necessidade de reforço do capital de giro da companhia. Auditoria aponta incerteza de continuidade operacional No relatório de auditoria externa que revisou as informações financeiras do Grupo Toky, a auditoria externa da Grant Thornton identificou “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional e limitações na obtenção de evidência de revisão sobre os efeitos do pedido de recuperação judicial”. Em seu parecer, a auditoria considerou que os prejuízos reportados em 31 de março de 2026 e o passivo circulante (obrigações de curto prazo) em excesso ao ativo circulante (recursos disponíveis) consolidado evidenciam a existência de incerteza relevante que podem levantar “dúvida significativa” sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia. Entretanto, considerando que o pedido de recuperação judicial se encontra em estágio inicial, ainda em processo de ser submetido à aprovação dos credores e homologação judicial, a Grant Thornton destaca que não foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente que permitisse avaliar os efeitos do pedido de recuperação judicial sobre as informações financeiras individuais e consolidadas, tomadas em conjunto. “Como consequência, não foi possível concluir se a utilização do pressuposto de continuidade operacional em 31 de março de 2026 era apropriada, tampouco determinar os potenciais impactos, e itens de divulgação, se houver, que poderiam afetar de forma relevante e generalizada as informações financeiras, individuais e consolidadas da companhia devido aos potenciais efeitos desses eventos na realização dos ativos e liquidação dos passivos”, assina o contador Régis Eduardo Baptista dos Santos. Devido à relevância do assunto, a auditoria destaca que não foi possível obter “evidência apropriada e suficiente” para fundamentar a sua conclusão sobre essas informações financeiras. “Consequentemente, não expressamos uma conclusão sobre essas informações financeiras intermediárias individuais e consolidadas.” Tok&Stok — Foto: Divulgação
Com pedido de recuperação judicial, Grupo Toky vê prejuízo saltar no 1º trimestre
Com pedido de recuperação judicial, Grupo Toky vê prejuízo saltar no 1º trimestre










