Anunciado no dia 12 de maio, o pedido de recuperação judicial do grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, expõe um cenário comum entre empresas que recorrem à mediação do Judiciário para evitar a falência. Especialistas apontam que a atual onda de dificuldades, sobretudo no varejo, resulta de uma combinação de gestão ineficiente, consumo enfraquecido, juros elevados e restrição no acesso ao crédito.

É nesse contexto que se insere a Tok&Stok, com dívidas que ultrapassam R$ 1,1 bilhão e dificuldade para renegociar passivos que vinham se acumulando desde 2024, quando a companhia entrou em recuperação extrajudicial.

Após não conseguir equacionar suas contas, a companhia voltou ao Judiciário para administrar uma dívida que dobrou em tamanho. Sem conseguir respiro na operação diária e sem condições de honrar seus compromissos, o grupo afirma que a recuperação é a única forma de manter suas atividades.

Atualmente, mais de 5.931 empresas estão em alguma fase de recuperação judicial no país, segundo dados do Monitor RGF. Em 2025, o Brasil registrou, pelo segundo ano consecutivo, recorde no número de pedidos, com 977 empresas recorrendo ao Judiciário. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram deferidos 319 processos.