As atenções no sector das infra-estruturas para inteligência artificial têm estado viradas para a potência bruta dos processadores, provocando uma disputa mundial pelos semicondutores da Nvidia. Contudo, a verdadeira barreira para o avanço da tecnologia parece estar noutro lado: na memória. Pelo menos é esta a tese da Xcena, uma startup sul-coreana que acaba de fechar uma ronda de financiamento de série B no valor de 135 milhões de dólares (cerca de 115 milhões de euros), elevando a sua avaliação de mercado para o equivalente a quase 500 milhões de euros.O investimento demonstra que os investidores estão ficar mais interessados na infra-estrutura de armazenamento e circulação de dados. Para quem desenvolve e opera grandes modelos de linguagem, o problema não é apenas a rapidez com que a máquina processa a informação, mas sim a quantidade de dados que consegue, de modo eficiente, reter e mover a cada instante.À medida que os sistemas de inteligência artificial evoluem, a quantidade de dados que precisam de processar cresce a um ritmo vertiginoso. Os computadores actuais debatem-se com a chamada “muralha da memória”, um fenómeno técnico em que o processador fica parado à espera de que os dados cheguem da memória interna. Há um afunilamento na ligação entre o processador e a memória. É o equivalente digital a querer atestar um carro de Fórmula 1 numa bomba de combustível que só debita uma gota de cada vez.A Xcena propõe resolver este problema com o MX1, uma solução de memória computacional baseada na tecnologia de interconexão CXL 3.0, um sistema que permite comunicação de alta velocidade. Em vez de obrigar os dados a viajar constantemente entre o chip de processamento e a memória, o componente da empresa sul-coreana integra milhares de pequenos microprocessadores directamente junto ao local onde a informação é guardada. A abordagem permite processar os dados mais perto da origem, o que promete reduzir o tempo de resposta e diminuir drasticamente o consumo energético.Ao aliviar o esforço do processador central através do processamento junto à memória, o sistema reduz o custo por cada interacção gerada pela inteligência artificial. Para quem utiliza assistentes virtuais no dia-a-dia, seja a organizar rotinas de bem-estar ou a responder a entrevistas virtuais, a melhoria deverá traduzir-se em respostas mais rápidas e na capacidade de os programas lidarem com contextos muito mais longos e complexos sem perderem o fio à meada, eliminando as habituais falhas de repetição de informação. O arranque da produção comercial do chip MX1está previsto para os próximos meses.