Aproxima-se o instante em que precisaremos cada vez menos de mouse e teclado Sede da Nvidia na Califórnia — Foto: David Paul Morris/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 22:07 Nvidia Introduz Chip RTX Spark para IA em Laptops, Competindo com Apple e Qualcomm A Nvidia lançou o chip RTX Spark, projetado para laptops, marcando sua entrada no mercado de computadores pessoais para IA. Concorrendo com Apple e Qualcomm, a Nvidia visa revolucionar o uso de computadores, minimizando a necessidade de mouse e teclado. O chip promete facilitar o uso de softwares complexos, permitindo comandos em linguagem natural, e aproximar novas gerações de ferramentas profissionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Nvidia anunciou seu novo chip, o RTX Spark. O nome da empresa talvez não ecoe de bate-pronto para todo leitor, mas ela disputa com Apple e Microsoft o posto de companhia mais valiosa do mundo no mercado de capitais. Dependendo do sobe e desce das ações, uma, outra ou a terceira vai para o topo. Tem razão esse peso todo. A Nvidia faz os chips de ponta que estão nos servidores que Anthropic, OpenAI, xAI, Meta e tantas outras usam para treinar seus modelos de inteligência artificial (IA). Pode haver briga por quem faz a melhor IA, mas, fora do Google, que tem chips próprios, só existe um fornecedor para o cérebro das máquinas que permitem a GPT ou Claude existir. É a Nvidia. A diferença fundamental do novo chip para os outros é só uma. Este serve para computadores pessoais, para laptops. É o primeiro da Nvidia nesse mercado. Ter na mesa um computador turbinado para IA muda muita coisa. Um notebook, o melhor deles, não é capaz, hoje, de rodar um modelo de IA de ponta. Mesmo com o novo chip, não seria. E a Nvidia não está sozinha. A Apple saiu na frente, com o M5, que já está no coração de todos os Macs desde o ano passado. No mundo Windows, a Qualcomm também já havia apresentado um chip preparado para IA. A Intel ficou para trás — e essa é uma crise antiga. Computadores com o Spark deverão ser lançados, ainda neste ano, por HP, Dell, Lenovo, Asus, MSI e pela própria Microsoft, que tem sua linha Surface. Os modelos de IA estão mais eficientes aos poucos. Isso quer dizer que ocupam menos espaço em disco, precisam de menos processamento para gerar resultados. Ainda assim, está longe o momento em que a última versão do Claude poderá rodar localmente, em cima do colo de quem viaja de avião. O que se aproxima é outra coisa. O instante em que precisaremos cada vez menos de mouse e teclado. Essa é a aposta que fazem Apple, Qualcomm e, agora, Nvidia. É, potencialmente, a maior revolução nos computadores desde a interface gráfica. Desde o momento em que paramos de escrever comandos na tela para arrastar documentos com o mouse para dentro de pastas — ou lata de lixo. A questão é a seguinte: softwares são complexos. Sim, claro, um Photoshop faz milagres com fotografias, o Excel reconcilia as contas de empresas gigantes, e é possível editar um filme ganhador de Oscar com o FinalCut Pro. Todos são programas que rodam fácil num computador de ponta. A diferença não é poder fazer o programa rodar. Isso, o computador faz. O problema é pilotar o software. Qualquer um desses programas exige anos de prática e constante atualização. São ferramentas profissionais. Quem se especializa precisa subir uma rampa íngreme até extrair os resultados dos melhores profissionais. Num computador com chip de IA, é diferente. Você dispara o software de edição de foto e explica, digitando ou mesmo falando, o que deseja. E, devagarzinho, o programa vai fazendo. Não é preciso saber mexer na gradação de cor, manipular camadas, alterar perspectiva. Obter resultado passa a depender da capacidade de descrever o que se busca. É para isso que estarão já preparados os computadores da nova geração. Em dois anos, será difícil comprar uma máquina sem essa capacidade. Não será imediato. A Adobe, software house que desenvolve Photoshop, Acrobat, Premiere, Illustrator, entre tantos, é possivelmente a mais avançada nesse rumo. Quer permitir, até o ano que vem, aos usuários que por baixo mil comandos possam ser executados com linguagem natural. Ainda não é um “restaure esta foto com riscos e cor desbotada para ficar perfeita”, mas não está longe. Tanto Microsoft quanto Apple querem reinventar o próprio sistema da máquina. Você pede ao computador, e ele saberá que programa abrir para atingir o melhor resultado. Nenhuma dessas tecnologias criará uma massa de contadores formidáveis, fotógrafos estupendos ou engarrafará a disputa pelo Oscar. A inteligência artificial não é capaz de ensinar bom gosto a ninguém. Massificar o acesso às ferramentas criará muita coisa ruim por um lado e muito conteúdo pasteurizado por outro. Ainda assim, derrubará barreiras. Haverá nalgum canto um jovem diretor de cinema com potencial imenso a quem a criação estará a um laptop de distância.