O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, expressou solidariedade a Omã nesta sexta-feira (29) e afirmou ter discutido “a futura administração do Estreito de Ormuz” com o seu homólogo omani, o chanceler Badr al-Busaidi. “Em uma conversa muito produtiva com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, expressei a solidariedade do Irã diante de qualquer ameaça ao país”, disse Araghchi em uma publicação na rede social X. “Discutimos o Estreito de Ormuz e sua futura administração, em conformidade com nossas responsabilidades soberanas e com o direito internacional. Recebemos com satisfação consultas com todos os países vizinhos”, acrescentou na postagem. A declaração do chanceler iraniano ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado “explodir Omã” caso o país discutisse com o Irã, direta ou indiretamente, a manutenção de um sistema de pedágios sobre Ormuz. A hidrovia, que é responsável pela passagem de cerca de um quinto de petróleo e gás natural comercializado no mundo, parece ter se tornado um dos pontos de divergência entre Washington e Teerã, uma vez que o país persa tenta negociar com Omã um acordo que permitiria essas cobranças de taxas por “serviços de navegação”, em contraposição às vontades do presidente americano. Na quinta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, por sua vez, afirmou que o embaixador de Omã em Washington garantiu que “não há planos” para a cobrança de pedágio na via marítima. Segundo reportagem do jornal The Guardian desta sexta-feira, Trump teria compartilhado com aliados, entre eles Israel, um rascunho do acordo destinado a encerrar a guerra com o Irã. A versão apresentada pelo presidente americano traz poucas mudanças em relação ao texto que circula há alguns dias, de acordo com o jornal. Entre as propostas do documento, estaria justamente a normalização da navegação comercial por Ormuz, a suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e o acesso do Irã a até US$ 12 bilhões em ativos congelados. O irã não chegou a comentar sobre o assunto. Também nesta sexta-feira, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que ainda aguarda gestos dos EUA para dar continuidade às negociações de um acordo. "Não confiamos em garantias ou palavras; apenas ações são medidas válidas, e nenhuma ação será tomada antes que a outra parte aja", disse.