Os Estados Unidos alertaram Omã nesta quinta-feira (28) para que não se envolva, direta ou indiretamente, em qualquer esforço para impor pedágios no Estreito de Ormuz, afirmando que penalizarão quaisquer parceiros envolvidos nesse sistema. “O governo dos Estados Unidos não tolerará qualquer tentativa de impor um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz”, escreveu o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em publicação no X. “Omã, em particular, deve saber que o Tesouro dos EUA irá mirar agressivamente quaisquer agentes envolvidos — direta ou indiretamente — em facilitar pedágios no estreito, e quaisquer parceiros dispostos a participar serão penalizados”, acrescentou Bessent. Na quarta-feira, o presidente Donald Trump desmentiu uma reportagem da TV estatal iraniana sobre um rascunho informal de acordo para restaurar o transporte comercial pelo estreito aos níveis anteriores à guerra em até um mês, com Irã e Omã administrando conjuntamente o tráfego. Na ocasião, Trump reiterou que nenhum país teria controle sobre a hidrovia e pareceu ameaçar Omã, país com o qual os EUA mantêm laços militares e econômicos há décadas. “Ninguém vai controlar o estreito”, disse Trump durante uma reunião de gabinete. “São águas internacionais, e Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos de explodi-los. Eles entendem isso, vai ficar tudo bem”, prosseguiu em tom de ameaça. Omã não chegou a comentar a ideia de controle conjunto do estreito com o Irã, com quem afirma ter discutido liberdade de navegação. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, expressou solidariedade a Omã diante do que chamou de “ameaças de autoridades americanas”. Nesta quinta-feira, o site Axios informou que representantes dos governos dos Estados Unidos e do Irã chegaram a um entendimento preliminar para estender o cessar-fogo por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. Neste momento, Ormuz parece ter se tornado um dos principais pontos de atrito nas tratativas em razão do desencontro de informações divulgadas. Isso porque, enquanto a imprensa estatal iraniana afirmou que Irã e Omã discutiam uma administração conjunta do tráfego marítimo na hidrovia, autoridades americanas sustentam que o entendimento em negociação prevê circulação irrestrita pelo estreito, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados globalmente.