Natalia Timerman é psiquiatra e escritora, mãe de dois filhos e judia. A narradora de seu recém-lançado "Antes que Apague" é psiquiatra e escritora, mãe de dois filhos e judia também. Ambas cuidam de suas mães com Alzheimer. Mas a narradora não é Timerman, como ela garante.

Em entrevista, a autora se mostra cansada de quando perguntas sobre seus livros se voltam à sua vida íntima, afirmando que não pretende mais escrever sobre família. "Tem algo de muito íntimo nos meus livros —talvez essa seja uma marca da minha voz—, mas isso me custa muito", diz Timerman.

Diferentemente de seu "As Pequenas Chances" —livro em que tratou o luto pelo pai—, a protagonista deste novo livro não leva seu nome. Pelo contrário, ela não tem nome, escolha que a autora afirma ser fruto de um "esforço de separação".

A intenção de Timerman ao escrever, segundo ela, era que "Antes que Apague" fosse discutido dentro do terreno da ficção, mas ela diz saber que a recepção de uma obra não é algo que um autor consiga controlar.

É o primeiro livro da autora na Companhia das Letras. Os anteriores, publicados na Todavia, vão continuar lá, mas os próximos devem sair pela nova casa.