As operadoras regionais, que já superam a participação de mercado das grandes na banda larga fixa, começam a avançar também na telefonia móvel. Dados da consultoria Teleco mostram que, no celular, a participação dessas empresas e das operadoras móveis virtuais (MVNOs) passou de 3,3% em 2022 para 6,2% no primeiro trimestre deste ano. O avanço, apesar de distante da escala observada na conexão fixa, que concentra 58%, ante 42% das grandes, sinaliza mudança gradual na dinâmica competitiva do setor. Segundo Ricardo Queiroz, sócio e líder da indústria de telecomunicações da PwC Brasil, após o pico de investimentos em 5G, as teles passaram a priorizar a rentabilidade, abrindo espaço para novos concorrentes. “A perspectiva é regionalizar o setor móvel no curto e médio prazos.” Esse cenário tem sido impulsionado por mudanças estruturais e regulatórias. Como a expansão mais acelerada das regionais esbarra, sobretudo, no alto investimento exigido, iniciativas que estimulam a diversidade ganham espaço. O leilão da faixa de 700 MHz, realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em maio deste ano, priorizou operadoras regionais - decisão contestada judicialmente por companhias do setor. Nesse ambiente de abertura gradual, uma das principais portas de entrada tem sido o modelo de operadoras móveis virtuais. Ao usar a infraestrutura das grandes teles, as MVNOs reduzem o investimento inicial e aceleram a entrada no mercado - uma lógica conhecida no setor como “escada de investimento”. A Vero Telecom, que oferece serviços como banda larga em fibra óptica, streaming, cloud e “hardware as a service”, entrou no segmento móvel em 2023, após a fusão com a Americanet, que já mantinha contrato com a Ting, MVNO americana pertencente à Boost Mobile. Desde então, o número de clientes passou de 162,8 mil para 336 mil. Segundo Fabiano Ferreira, CEO da companhia, a estratégia está alinhada ao objetivo da empresa de acompanhar as demandas atuais e cuidar da vida digital do consumidor. Para seguir expandindo, a aposta está em duas frentes: crescer na própria base, por meio da ampliação da oferta para clientes já atendidos na banda larga, e avançar para novos municípios dentro dos nove Estados em que está presente. O ritmo de crescimento, no entanto, é condicionado pela combinação de rentabilidade, sustentabilidade e valor para o consumidor. “Não é crescer a qualquer custo.” Integrar o móvel ao portfólio já existente é a estratégia mais eficaz. Segundo Eduardo Tude, presidente da Teleco, a oferta combinada com a banda larga é decisiva para ganhar escala. “Traz receita adicional e diminui a taxa de cancelamento”, afirma. Em estágio mais inicial, a Ligga Telecom segue trajetória semelhante. Com presença consolidada na banda larga no Paraná, ingressou no serviço móvel em 2025 e possui 2 mil clientes, com expectativa de alcançar 15 mil até o fim de 2026. A expansão recente da cobertura ajuda a explicar esse avanço. No início deste mês, a empresa passou a oferecer o serviço nas 126 cidades em que já atua com banda larga fixa via tecnologia GPON. Antes, a oferta estava restrita a 14 cidades. De acordo com Sócrates Gomes, diretor de negócios da operadora paranaense, o avanço reflete o amadurecimento dos modelos de MVNOs, a ampliação das parcerias e a mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais interessado em concentrar serviços em um único fornecedor. Nesse contexto, o celular deixa de ser um produto isolado e passa a compor a oferta de conectividade, com foco na ampliação do relacionamento com clientes residenciais, corporativos e do setor público. “A escala não vem da disputa de preço, mas da oferta de uma solução mais completa de conectividade, com atendimento próximo, conhecimento regional e capacidade de adaptação às necessidades de cada região”, diz Gomes.
Operadora regional ganha espaço na telefonia móvel
Avanço reflete o amadurecimento dos modelos de MVNOs e adiciona receita a negócio de provedores de internet, que ampliam portfólio







