Mudança no regime de trabalho deve passar a ganhar velocidade em tramitação na semana que vem; senadores avaliam que medida pode ser votada antes das eleições de outubro Sessão plenária no Senado Federal - Reforma no Imposto de Renda. Davi Alcolumbre — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 22:53 Senado analisa PEC que altera jornada de trabalho para 40 horas semanais A proposta de emenda à Constituição que encerra a escala de trabalho 6x1, aprovada na Câmara, avança no Senado com expectativa de votação pré-eleições. Davi Alcolumbre sinaliza prioridade à Comissão de Constituição e Justiça, liderada por Otto Alencar, para análise da PEC. O projeto, que propõe dois dias de folga semanais e redução da jornada de 44 para 40 horas, conta com apoio popular e é uma bandeira de Lula. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Aprovada no fim da noite de quarta-feira na Câmara dos Deputados, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 deve ganhar tração no Senado a partir da semana que vem. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), vai convocar uma reunião de líderes para definir o futuro do projeto, mas já afirmou a aliados que o tema passará primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir ao plenário. A expectativa entre os senadores é que ela seja votada antes das eleições. A CCJ é comandada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de primeira hora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao GLOBO, o senador disse que a PEC terá prioridade no colegiado. Ele afirmou que aguarda a proposta dar entrada na comissão e a definição do relator. Ontem, por decisão de Alcolumbre, foi distribuída para a CCJ outra PEC. Encabeçada pelo PL e com assinatura de 36 senadores — entre eles o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) —, a proposta flexibiliza a jornada semanal de trabalho ao permitir que trabalhadores possam escolher entre o limite de jornada e um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Ainda que não consigam aprovar a PEC paralela, senadores da oposição vão tentar usar o texto para pressionar por mudanças na proposta enviada pela Câmara. Nos bastidores, além de flexibilizar a redução da jornada com acordos entre empregado e empregador, há intenção de ampliar o período de transição para a medida ser colocada em prática e incluir medidas de compensação aos setores afetados. —Vou esperar a PEC aprovada pela Câmara dar entrada na CCJ antes de tomar qualquer decisão. Ela tem o meu apoio e terá prioridade — disse Alencar. Relator com missão dupla Segundo o senador, um mesmo relator deverá ficar responsável pelas duas propostas e buscar um texto de consenso. Ele disse que lembrará aos pares que a CCJ aprovou em dezembro de 2025 uma PEC que reduz a jornada semanal de trabalho para 36 horas, mas que Alcolumbre não levou o texto ao plenário. Também há expectativa de que, depois da reunião de líderes, seja encaminhada a escolha do relator. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é um dos cotados. A expectativa é que o Congresso esgote todas as etapas da tramitação e coloque as mudanças em prática antes das eleições. Para isso, serão definidas semanas de esforço concentrado para que mesmo os senadores que estejam em suas bases, articulando suas pré-campanhas, possam se organizar e ir para Brasília debater o tema. Lula liga para Motta A PEC aprovada teve o texto articulado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Lula, que ligou ontem para o deputado para agradecê-lo pela aprovação. O projeto é uma das principais bandeiras eleitorais do petista. A iniciativa prevê dois dias de folga na semana já neste ano e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas num período de 14 meses, depois de a votação ser concluída nas duas Casas. Alcolumbre sinalizou a aliados incômodo com a forma como essa PEC foi aprovada pela Câmara. A avaliação é que Hugo Motta acelerou ao aprovar no mesmo dia a iniciativa na comissão especial e no plenário. Mesmo assim, há um entendimento de que dificilmente o texto será barrado pelos senadores, devido à pressão popular.