A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, pleito do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump, foi discutida no Congresso Nacional no fim do ano passado e não prosperou.

Na ocasião, o agora presidenciável do PL não estava no plenário e não defendeu a medida —ao contrário de outros senadores bolsonaristas, que registraram voto favorável e discursaram sobre a importância de enquadrar as facções.

Durante sua viagem aos Estados Unidos nesta semana, Flávio pediu a Trump a classificação do PCC e do CV como terroristas —o que ocorreu, de fato, nesta quinta-feira (28).

A designação é considerada estratégica por aliados de Flávio para desgastar Lula (PT) na eleição, já que o governo petista é contrário à medida. O entendimento do Executivo é de que essa rotulação pelos EUA pode dar margem a uma intervenção americana no território brasileiro, além de deixar empresas e o sistema financeiro nacional expostos a medidas unilaterais da Casa Branca.

Quando o enquadramento das facções dependia de uma decisão do Congresso e não de Trump, Flávio não demonstrou o mesmo empenho. A discussão fez parte do chamado PL Antifacção, projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados em novembro passado e deliberado pelo Senado no mês seguinte.