A idosa Maria Cruz, mãe de Marcelo da Cruz Silva, ficou desolada ao ouvir o neto dizer a ela: 'Agora a gente não vai ver mais ele. Eu não vou ver mais ele, né?' Família e amigos acompanham sepultamento do pedreiro Marcelo da Cruz Silva — Foto: Thayná Rodrigues RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 16:21 Comoção e pedidos de justiça marcam enterro de pedreiro morto pela polícia em São Gonçalo O enterro de Marcelo da Cruz Silva, pedreiro morto por policiais em São Gonçalo, foi marcado por comoção e pedidos de justiça. Silva e o colega Edivan Assis foram mortos após suas ferramentas serem confundidas com armas. A Delegacia de Homicídios investiga o caso, e os policiais envolvidos foram afastados. A presença policial no cemitério gerou indignação entre os familiares, enquanto investigações continuam para esclarecer os fatos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Aos gritos de “justiça”, familiares e amigos de Marcelo da Cruz Silva, um dos pedreiros mortos por policiais porque suas ferramentas teriam sido confundidas com armas, enterraram o corpo no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, nesta quinta (27). Silva estava numa moto com o assistente de pedreiro Edivan Assis, de 46 anos, que também foi morto. Seu corpo será enterrado nesta sexta (28). A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí investiga o caso. Policiais do 7º Batalhão Policial Militar (Alcântara) foram afastados. Do lado de fora do cemitério, dez viaturas policiais do 1º BPM (São Gonçalo) 7º BPM (Niterói) e do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) aguardavam o fim do sepultamento. Segundo um dos agentes, eles foram direcionados ao local para conter manifestações dos moradores do Jardim Catarina. Na Avenida Nilo Peçanha, ainda havia outras quatro viaturas da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e duas da Guarda Municipal cercaram o local. Ao entrarem no cemitério, parentes se indignaram com a presença agentes. — É um desrespeito, depois de tudo o que aconteceu, vocês virem aqui! — revoltou-se uma das familiares. A mãe do filho de Marcelo Silva, Lúcia Almeida, também se revoltou e desabafou. O menino estava em tratamento psicoterápico com o apoio do pai. — Ele me perguntou: “o polícia foi preso?” Meu filho me faz perguntas e eu não sei o que responder — diz Lúcia Almeida, de 37 anos, mãe de Vitor Almeida, de 8. A idosa Maria Cruz, mãe do pedreiro morto, ficou desolada ao ouvir o neto dizer a ela: “Agora a gente não vai ver mais ele. Eu não vou ver mais ele, né?”. A gonçalense foi amparada por amigos. Investigação aberta A polícia analisa as imagens das câmeras corporais dos policiais para investigar informações de testemunhas, que relatam, por exemplo, que não houve abordagem nem havia operação na comunidade. Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edvan Felipe de Assis foram mortos em ação da PM em São Gonçalo — Foto: Reprodução A Polícia Militar diz que afastou os policiais do 7º BPM (Alcântara) e que as imagens das câmeras dos uniformes dos agentes foram entregues para a Polícia Civil, assim como estão sob análise da corregedoria interna. A investigação está a cargo da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Em nota, a Polícia Militar informa que um "um procedimento apuratório sobre o caso foi instaurado e está sendo conduzido pela Corregedoria Geral da corporação". Ainda de acordo com a PM, a corporação "segue colaborando integralmente com os procedimentos investigativos e reitera seu compromisso com a apuração transparente e irrestrita dos fatos”. Já a Polícia Civil recolheu o tripé e a régua de obra que estavam com os pedreiros e que teriam sido confundidas com armas quando foram alvejados. "Outras testemunhas também foram ouvidas, e diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos", informa a polícia.