Logo no início do Festival de Cannes deste ano, o cineasta sul-coreano Park Chan-wook, presidente do júri, deu pistas de que não cometeria o mesmo deslize de seu colega Wim Wenders, presidente do júri do Festival de Berlim, em fevereiro. Ao ser questionado sobre o conflito em Gaza e a importância política do cinema, Wenders declarou que os cineastas deveriam deixar a política para os políticos, o que gerou grande repercussão negativa.
“Um filme político não deve ser considerado um inimigo da arte”, declarou Park na coletiva de imprensa em Cannes, ao lado dos outros jurados – Demi Moore, Ruth Negga, Stellan Skarsgård, Isaach de Bankolé, Chloé Zhao, Laura Wandel, Diego Céspedes e Paul Laverty. E, a julgar pelo resultado da premiação, anunciada no sábado 23, a relação entre arte e política foi mais uma vez valorizada na Riviera francesa.
Se, no ano passado, dois filmes explicitamente políticos foram laureados, Foi Apenas Um Acidente, de Jafar Panahi, com a Palma de Ouro, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, com as palmas de Direção e de Ator, este ano praticamente todos os filmes premiados tinham alguma mensagem política.
O grande vencedor de 2026, o romeno Cristian Mungiu, repetiu com Fjord o feito de 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias: ganhou a Palma de Ouro e o Prêmio da Crítica (Fipresci). Uma escolha que parece motivada sobretudo pela abordagem original e provocadora de um tema urgente: a intolerância religiosa. A história se passa em uma pequena cidade da Noruega, e coloca em confronto autoridades progressistas e uma família evangélica conservadora composta de pai romeno, mãe norueguesa e cinco filhos.















