A Lightsource BP, promotora do controverso projecto fotovoltaico Sophia, quer integrar o pastoreio e práticas agro-ecológicas na proposta da central solar para a Beira Baixa. A empresa defende que o empreendimento poderá conciliar produção de energia renovável com “o uso agrícola do solo”, mas o movimento cívico Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional considera que esta alteração à proposição inicial não resolve os problemas centrais do megaprojecto.“A forma como desenvolvemos os nossos projectos passa por encontrar soluções que se adaptem ao território e que criem valor local”, garante Miguel Lobo, responsável da Lightsource BP​ em Portugal, citado num comunicado divulgado pela empresa detida pelo grupo petrolífero britânico BP.“Estamos a trabalhar numa abordagem que permite gerir o espaço de forma mais eficiente e sustentável, ao mesmo tempo que reforça a ligação às comunidades locais”, acrescenta o responsável.Contactado pelo Azul, Samuel Infante, da Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional, acusa a empresa de tentar com este anúncio “criar aceitação social” para uma megacentral solar “altamente controversa”.Recorde-se que os relatórios das Comissões de Avaliação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sobre projectos fotovoltaicos na Beira Baixa identificam “impactos irreversíveis” na região, incluindo a industrialização do território e a “homogeneização da paisagem”. O projecto da central Sophia ainda está em análise, encontrando-se actualmente em fase de reformulação.Parceria com empresasA proposta da Lightsource BP resulta de uma parceria com as empresas Animob e a Bioinsight & Ecoa e assenta num modelo de pastoreio rotativo (ou seja, com mobilidade de rebanhos). A iniciativa inclui uma plataforma interactiva para ligar produtores pecuários e proprietários de terrenos, criando assim “oportunidades” para os cidadãos locais, refere a nota de imprensa.O comunicado refere que está a ser desenvolvido um Plano Estratégico de Integração Agro-ecológica e Pastoreio com o objectivo de “integrar a central solar no território envolvente e promover uma gestão activa do solo e da vegetação”.A Lightsource BP sustenta que a abordagem proposta permitirá adaptar a gestão da vegetação às características de cada parcela e reduzir a necessidade de intervenção mecânica, apontando benefícios como a regeneração dos solos, a promoção da biodiversidade e a criação de oportunidades económicas associadas à agro-pecuária.“Este modelo permite demonstrar que é possível conciliar produção energética com práticas agrícolas baseadas na regeneração do solo. Ao ligar produtores e território, procuramos desenvolver uma solução que responda simultaneamente a desafios ambientais e económicos”, refere no comunicado João Xavier, fundador da Animob, uma empresa portuguesa que actua na gestão de terrenos, usando pastoreio para gerir a vegetação e regenerar o solo.A Lightsource BP acrescenta que o projecto poderá ter impacto “em toda a cadeia de valor agro-industrial associada ao pastoreio”, incluindo actividades ligadas à produção de leite e à indústria transformadora, com referência a produtos tradicionais locais, como o queijo, e convida produtores da região a contactar a Animob para participar.