A expansão da cobertura móvel de quinta geração pode impulsionar aplicações mais complexas e que requerem baixa latência de internet das coisas (IoT). “5G é um dos grandes habilitadores das cidades inteligentes, porque consegue trazer serviços de mais alto desempenho e alta performance”, diz Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações. Hoje, dos 5.571 municípios brasileiros, 1.966 (35%) têm sinal 5G, com aproximadamente 55 mil estações radiobase (ERBs), de acordo com a Anatel. Com todas as capitais atendidas, o avanço agora se concentra na interiorização. Até 31 de dezembro, 30% dos municípios com população inferior a 30 mil habitantes precisam contar com 5G. O superintendente de outorga e recursos à prestação da Anatel, Vinícius Caram, aponta que 952 deles, de um total de 1.319, já têm estações licenciadas. “A gente tem colocado recursos públicos nas cidades onde a conta não fecha”, diz Tercius. Em 2023 e 2024, 1.355 localidades rurais receberam sinal de telefonia - majoritariamente 4G - e, a partir de 2025, foram 1.355 por ano em áreas rurais reconhecidas pelo IBGE com concentração de pessoas. Elmo Matos, diretor de core e redes móveis da Vivo, avalia que a expansão para cidades menores envolve desafios técnicos, econômicos e regulatórios, como carência de backhaul de alta capacidade, relação entre investimento e escala em municípios com menor densidade populacional e licenciamento para instalações. A operadora soma 905 municípios com 5G. “Em cidades menores ou com grande extensão territorial e áreas rurais, a expansão ocorre de forma progressiva, começando pelas regiões com maior concentração de pessoas, tráfego e demanda por capacidade”, diz Matos. Na mesma linha, Maria Teresa Lima, diretora-executiva da Claro Empresas para governo, diz que, se nas grandes cidades, a concentração de pessoas, empresas, tráfego de dados e demanda por serviços digitais acelera a viabilidade dos investimentos, nos municípios menores e em áreas rurais há maior dispersão geográfica, menor densidade de usuários por estação, distâncias maiores para transporte de dados e maior necessidade de infraestrutura, além de desafios para implantação e licenciamento de antenas. O que temos hoje atende às necessidades das aplicações atuais” Porém, no contexto de cidades inteligentes, a executiva pondera que o 5G faz parte de uma arquitetura mais ampla de conectividade. “Para muitos casos de uso urbano, tecnologias como 4G, NB-IoT, LTE-M/Cat-M, fibra, redes privativas e computação de borda podem ser mais adequadas, dependendo da aplicação”, diz. A Claro atende a 676 cidades com 5G. Por enquanto, IoT tem crescido calcado em outras tecnologias de conectividade. “5G é tecnologia muito importante, porque reduz a latência e vai trazer outras facilidades, como drone para salvamento, robôs entrando em ambientes de risco e cirurgias a distância. Mas o que temos hoje de conectividade atende às necessidades das aplicações atuais”, assinala Moisés Silva, líder do comitê de cidades inteligentes da Associação Brasileira de Internet das Coisas. Marco Di Costanzo, vice-presidente de desenvolvimento de tecnologia da TIM Brasil, corrobora, dizendo que não é mandatório ter 5G para cidades inteligentes, mas para casos específicos que exigem tempo de resposta mais rápido - como no porto de Santos (SP) que usa 5G para automação e controles de carga e descarga de navios. A operadora cobre 5.570 municípios com 4G e NB-IoT. Em 5G, são 1.094 municípios, incluindo todos aqueles acima de 100 mil habitantes. “A TIM não se limita a grandes centros. Nossa cobertura no agro supera 27 milhões de hectares cobertos com 4G e 55 mil hectares com NB-IoT”, diz o VP. O plano de expansão da TIM para 5G é continuar avançando em passo mais acelerado que as obrigações da Anatel, tanto em expansão de cidades, como em modernização de infraestruturas tecnológicas. Para Fábio Costa, VP B2B da TIM Brasil, o conceito de inteligência é mais fácil de ser implementado quanto menor for o município. “Com IoT e 5G, a cidade inteligente percebe o que está acontecendo em tempo real e consegue agir em tempo curto, antecipando problemas. E aplicando IA você tem um ecossistema ainda mais inteligente, porque ela é capaz de aprender sozinha com as ocasiões passadas”. Usando conectividade baseada em NB-IoT, a Vivo tem junto à Sabesp projeto que prevê a instalação de 4,4 milhões de hidrômetros inteligentes em São Paulo e São José dos Campos (SP). “A partir dessa base, adicionamos uma camada avançada de inteligência, com uso de IA e aprendizado de máquina para identificar vazamentos de forma preditiva, detectar irregularidades, entender padrões de consumo e até prever a vida útil das baterias dos medidores”, comenta Matos.
5G segue ao interior com desafios técnicos e financeiros
Tecnologia é um dos grandes habilitadores das cidades inteligentes









