Javier Goméz Santander disse não ter participado de spin-offs como 'Berlim e a Dama Arminho' La casa de papel — Foto: Netflix RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 18:13 Roteirista de "La Casa de Papel" aborda sucesso global e direitos autorais no Rio2C Javier Goméz Santander, roteirista de "La casa de papel", esteve no Rio2C e falou sobre o fracasso inicial da série na Espanha, antes do sucesso global na Netflix. Ele não participou de spin-offs como "Berlim e a Dama com Arminho". Santander destacou a importância dos direitos autorais, criticando a falta de remuneração justa no Brasil, e mencionou sua inspiração nas narrativas criminais brasileiras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto Javier Goméz Santander, chefe de roteiro e um dos produtores-executivos da série espanhola “La casa de papel”, anda pelo Rio, o spin-off “Berlim e a Dama com Arminho” é a série de língua não inglesa mais vista globalmente na Netflix. O que ele tem a dizer sobre ela? Nada. — Não vi “Berlim”, nem a “La casa de papel: Coreia” (versão sul-coreana da produção) — disse o espanhol em conversa com o GLOBO ontem no Rio2C, evento de criatividade que acontece na Cidade das Artes até domingo. — Senti que, quando terminou a quinta temporada, o meu trabalho estava feito. Já não queria seguir explorando nem esses personagens, nem spin-offs, nem possíveis continuações. A exaustão é justificada: foram mais de cinco anos contando a história de Professor, Berlim e todo um grupo de ladrões que armam o maior assalto da história da Espanha: o da Casa da Moeda. O ambicioso plano deu certo (e não estamos dando spoiler sobre o roubo): a série se tornou um dos maiores fenômenos do catálogo da plataforma. Tirando as três temporadas de “Round 6”, a quarta parte de “La casa de papel” é o conteúdo em língua não inglesa mais assistido da história da plataforma. Javier Goméz Santander — Foto: Divulgação Incerteza Difícil acreditar que esse sucesso foi precedido por um estrondoso fracasso, como Javier contou no painel “O valor da criação”, com a roteirista francesa Noèmi Saglio (de “Nice girls”) e o brasileiro Cauê Laratta (de “Pico da neblina”) e o presidente da Gedar (Associação de Direito dos Criadores Roteiristas), André Mielnik. A série começou a ser exibida na emissora de TV Antena 3, uma das maiores da Espanha, no início de 2017, dividida em duas partes, que não deram o resultado esperado e cancelou o prosseguimento da história. A Netflix, então, a colocou no catálogo global no fim daquele 2017 e... deu no que deu. — No nosso trabalho, por mais que você faça as coisas bem, sempre há uma grande incerteza de como vai funcionar — disse ele, depois da palestra. —Para isso, você precisa de várias coisas, incluindo a sorte. Em termos práticos, a sorte nos trouxe o lugar adequado para a série. Meus amigos não a assistiam na Antena 3 porque já haviam deixado de ver TV linear. Eles me diziam: “é muito tarde e tem comerciais”. E “La casa de papel” se adaptou muito melhor ao streaming. Fomos um fracasso, estivemos a ponto de “morrer”, mas tivemos sorte que a Netflix mudou o destino da série e o nosso. Uma das discussões do dia foi justamente como plataformas de streaming, como a Netflix, podem mudar os rumos financeiros de um criador — mas não em países como o Brasil. Apesar do sucesso da série aqui, Javier não recebe a cada vez que ela é exibida, como ocorre na Espanha. Isso porque, no modelo audiovisual nacional, os criadores assinam uma cessão de direitos com pagamento fixo no desenvolvimento do roteiro, mas o mercado brasileiro não prevê, de forma estruturada, o pagamento recorrente a cada reexibição, independentemente da plataforma. Se ela for um estouro, o roteirista não recebe necessariamente a mais por isso. — Como profissional espanhol, considero importante receber direitos do meu país e de outros países europeus — refletiu Javier. —Num mundo ideal, queria receber de todo o mundo, mas não acho que seja a batalha de hoje. O verdadeiro problema é que os roteiristas brasileiros não recebem os direitos do mercado nacional, que deveria cuidar deles. Estamos falando de um dos mercados mais importantes do mundo, o único que trata os criadores de forma tão injusta. Hoje, o país de onde dele mais recebe os chamados residuals é a França. — Na União Europeia também há um debate muito forte agora sobre direitos autorais e não há consensos. Fundamentalmente, é uma batalha entre as pessoas com poder na indústria e nós, que somo s muito menores. Precisamos que os Estados nos apoiem. Apuração jornalística Javier cita o Brasil de novo ao falar como a criação nacional o inspira: as histórias criminais, de um jeito diferente do espetaculoso roubo de “La casa de papel”. — Os brasileiros fazem muito bem a narrativa do mundo do crime. Conseguem fazer com uma verdade que me interessa muito — diz Javier, citando, entre suas séries favoritas “Dom” (Prime Video), “Impuros” (Disney+) e “Irmandade” (Netflix). Hoje à frente de três projetos (em México, Espanha e Argentina) cujos temas são confidenciais, ele investe no gênero de “baseado em fatos”. As ideias surgiram a partir de apurações que o conectam com os tempos como jornalista numa emissora de TV, antes de virar roteirista e produtor. —Investigamos algo como jornalistas e construímos como roteiristas, mas de forma ficcional.