Os produtores brasileiros estão descontentes com os preços internos do arroz. Essa situação, no entanto, não é exclusiva do Brasil, uma vez que produtores dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia sentem o mesmo. O mundo vem tendo crescimento de safra há uma década, e a reação do consumo é pequena. A China, maior consumidora mundial, perdeu o ritmo de crescimento populacional, embora parte dessa perda esteja sendo compensada pelo crescimento da população da Índia, a segunda maior consumidora do cereal no mundo.

A safra 2026/27, no entanto, será de 548 milhões de toneladas, 5 milhões a menos do que a anterior. Segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), essa será a primeira queda desde 2015/16. Índia, Mianmar e Estados Unidos serão responsáveis por boa parte dessa redução. O consumo mundial cai 4 milhões de toneladas, para 541 milhões, e os estoques recuam para 193 milhões.

A China, com 145 milhões de toneladas, consumirá menos, mas a Índia, com 128 milhões, atingirá um patamar recorde na demanda. Além de grandes consumidores, os indianos são os principais exportadores mundiais. Na safra 2026/27, deverão colocar 25 milhões de toneladas no mercado externo.

Os produtores dos principais países que atuam nessa cultura reclamam dos baixos preços do cereal e dos altos custos de produção, principalmente com a elevação do diesel e dos fertilizantes. As estimativas são de que, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, o cereal volte a perder espaço para a soja. Os produtores gaúchos, os líderes no Brasil, deverão plantar próximo de 50 mil hectares a menos na próxima safra, segundo estimativas de Vlamir Brandalizze, analista do setor.