O acordo entre Estados Unidos e Irã já mostrou alívios nos preços internacionais dos fertilizantes. Internamente, os preços já vinham caindo nas últimas semanas devido a um recuo de demanda. O produtor olha para a relação de troca de seus produtos com o custo do fertilizante e analisa a sua lucratividade.

"Então ele só vai investir se tiver retorno sobre aquele investimento. Se os preços dos fertilizantes estão elevados e geram aumento de custos, há um recuo no interesse de compra, uma vez que o produtor não vê lucratividade", afirma Paulo Bruno Rocha Craveiro, analista sênior da Datagro.E esses custos são gerados basicamente no mercado externo, devido à dependência brasileira no setor de fertilizantes. A cada conflito geopolítico que ocorre, o Brasil se volta para a necessidade de reduzir esse déficit. A lição, no entanto, não está sendo bem-feita. "Desde a crise de 2022, na guerra da Rússia, o país tem como objetivo reduzir essa dependência de 85% para algo em torno de 50%, mas não temos visto esse movimento acontecer", diz o analista.

O país tem dificuldades para produzir fertilizante a preços competitivos a nível mundial, o que dificulta a execução de grandes projetos por aqui. O Brasil está andando de lado nesse setor, afirma ele. Entre janeiro e março deste ano, o país produziu 1,4 milhão de toneladas. No mesmo período do ano passado, o volume era de 1,7 milhão. A entrega do insumo pela indústria para os produtores no período de janeiro a março deste ano foi de 9,8 milhões de toneladas, segundo a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos).