A inadimplência dos produtores rurais cresceu no fim de 2025, mais um sinal da crise financeira que assola o campo, apesar da supersafra de grãos que se encerra em meados deste ano. No quarto trimestre do ano passado, 8,2% dos produtores rurais pessoas físicas tinham dívidas em atraso, segundo a Serasa Experian. O resultado é 1 ponto percentual acima de um ano antes e 0,2 ponto acima dos 8% verificados no terceiro trimestre, mostra o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da consultoria de dados financeiros. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, explicou que o crescimento mais modesto na passagem do terceiro para o quarto trimestre se deveu a “sinais de estabilização em alguns segmentos”. Os dados do Banco Central (BC), mais recentes do que os da Serasa, apontam que a taxa de inadimplência das pessoas físicas no crédito rural piorou em janeiro (7,3%) e fevereiro (7,6%), mas teve ligeira melhora em março (7,1%). São os maiores níveis de inadimplência do crédito rural da série histórica do BC, iniciada em 2011. “A inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo”, disse Pimenta, no relatório da Serasa sobre os dados, divulgado nesta segunda-feira. Aperto financeiro — Foto: Editoria de Arte A Serasa Experian analisa o endividamento de 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural. O indicador é o percentual de inadimplentes no total de produtores pessoas físicas — é considerado inadimplente quem tem dívidas acima de R$ 1 mil (apenas em operações relacionadas à atividade rural) vencidas com mais de 180 dias. É diferente da taxa de inadimplência do BC, que monitora as operações, não as pessoas. Além disso, a Serasa Experian considera tanto o crédito quanto as dívidas com fornecedores — as operações de barter (permuta, na tradução livre do inglês), em que o produtor troca uma parcela da produção por insumos. Dívidas concentradas nos bancos A inadimplência está concentrada nas dívidas com bancos e demais serviços financeiros, como fundos. Apenas 0,3% dos produtores estão em atraso nas dívidas com credores do próprio agronegócio, e só 0,2% estão inadimplentes com fornecedores de fora do setor, como serviços de transporte. Apesar disso, o relatório da Serasa Experian chama a atenção para o valor médio das dívidas. Com fornecedores do próprio agronegócio, a dívida média é de R$ 138,2 mil; com as instituições financeiras, é de R$ 115,5 mil. Já com fornecedores de fora do setor, o valor médio é bem menor, de R$ 32,6 mil. Para Pimenta, da Serasa Experian, isso eleva o risco. “O perfil do crédito rural, marcado por tickets mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco”, diz o executivo no relatório. Inadimplência maior entre os grandes Os dados também mostram que a inadimplência do quarto trimestre de 2025 foi maior entre os grandes produtores. O maior percentual (9,9% dos produtores) foi registrado entre aqueles que não possuem informação de registro rural. São “possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos”, diz a Serasa Experian. Entre os grandes proprietários, a taxa ficou em 9,8%. Já os médios (8,3%) e os pequenos (7,8%) proprietários registraram taxas menores.
Crise no agro: inadimplência dos produtores rurais sobe para 8,2% no 4o trimestre de 2025, diz Serasa
Combinação de cotações desfavoráveis com insumos mais caros, por causa da guerra no Oriente Médio, e endividamento elevado espalha desequilíbrios financeiros pelo campo












