O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, derrotou de forma decisiva o senador de longa data John Cornyn no segundo turno das eleições primárias republicanas para o Senado dos Estados Unidos na terça-feira, dando ao presidente Donald Trump uma vitória de grande visibilidade e oferecendo aos democratas o confronto que há muito desejavam no Texas. Embora o resultado tenha sido uma vitória pessoal para Trump, que apoiou Paxton na reta final da campanha, ele também pode colocar em risco a estreita maioria republicana no Senado. Aqui estão cinco pontos principais que ajudam a entender a questão e como o resultado de terça-feira à noite pode se mostrar prejudicial para o presidente. Cornyn vira uma incógnita O apoio de Trump a Paxton colocou o presidente em desacordo com o líder republicano no Senado, John Thune, e com o senador Tim Scott, que lidera o braço de campanha republicano no Senado. Livre da pressão de uma nova campanha de reeleição, Cornyn poderá, até o fim de seu mandato este ano, tornar-se uma figura independente, semelhante ao senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, que se aposentará após bloquear a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, ou ao senador Bill Cassidy, da Louisiana, que perdeu um segundo turno em sua eleição primária estadual e votou com os democratas na semana passada para avançar uma resolução sobre poderes de guerra relacionados ao Irã. Cornyn agora se junta a esse grupo de senadores, embora ainda não esteja claro se um ex-integrante da liderança republicana desafiará Trump ao deixar o cargo, após ter vinculado sua campanha tão estreitamente ao presidente. Paxton precisa captar mais doações Em seu discurso de vitória na terça-feira, Paxton pediu aos apoiadores que doassem por meio do site de sua campanha, alertando que seu adversário, o deputado estadual James Talarico, “arrecadará mais dinheiro do que qualquer democrata” nos EUA. Os relatórios financeiros mais recentes dos candidatos mostravam Paxton com US$ 2,3 milhões em caixa no início de maio, enquanto Talarico tinha US$ 9,9 milhões disponíveis no início de abril. Em um memorando interno do ano passado, o braço de campanha republicano no Senado alertou que uma candidatura de Paxton poderia “forçar os republicanos a desviar centenas de milhões de dólares que, de outra forma, seriam usados para vencer disputas importantes”. Agora que Paxton venceu, não está claro de onde virá esse dinheiro. O principal fundo eleitoral republicano do Senado, Senate Leadership Fund, não respondeu a pedidos de comentário. O mesmo ocorreu com o MAGA Inc., o fundo de Trump com US$ 356 milhões. “Esta é a eleição errada para ter um candidato tão fraco quanto Paxton enfrentando alguém tão forte em arrecadação quanto Talarico”, disse um consultor político texano, prevendo que, no fim das contas, “o Maga Inc. terá de intervir” disse, citando a sigla em inglês para o movimento de Trump, o Faça os EUA Grande de Novo. O Texas está ficando mais competitivo O Cook Political Report e o Sabato’s Crystal Ball, do Centro de Política da Universidade da Virgínia, alteraram suas classificações da disputa pelo Senado no Texas de “provavelmente republicana” para “tendência republicana”, reforçando a percepção de que Paxton é um candidato mais fraco do que Cornyn. Trump venceu o Texas por quase 14 pontos em 2024, mas agora os republicanos terão de gastar milhões em uma campanha que promete ser intensa para preservar uma cadeira antes considerada segura. Ken Paxton, o candidato republicano ao Senado pelo Texas — Foto: Bloomberg Um memorando da campanha de Talarico divulgado na quarta-feira o descreve como “o candidato mais bem posicionado em uma geração para vencer no Texas”. Ele classificou Paxton como “o candidato mais corrupto e desgastado da história moderna do Partido Republicano texano”, em referência à acusação criminal contra ele, ao processo de impeachment na Câmara do Texas, alegações de corrupção e relatos de casos extraconjugais. Paxton e seus aliados indicaram que atacarão Talarico em temas ligados às chamadas guerras culturais, incluindo sua defesa de crianças transgênero, sua descrição de Deus como não binário, uma antiga “campanha sem carne”, na qual comprou apenas produtos veganos, e comentários sugerindo que existem mais de dois sexos biológicos. Um anúncio divulgado na quarta-feira também destacou declarações de Talarico comparando a fronteira a uma “varanda da frente” com “um grande tapete de boas-vindas”. Outras disputas pelo Senado estão em risco No Senado, os republicanos possuem vantagem de 53 a 47, e os democratas precisariam conquistar quatro cadeiras adicionais para assumir o controle. Os democratas estão defendendo dois estados vencidos por Trump em 2024 — Geórgia e Michigan — e mirando estados controlados pelos republicanos, como Carolina do Norte, Maine, Ohio e Alasca. Lauren French, porta-voz do grupo democrata Senate Majority PAC, afirmou que os republicanos provavelmente terão uma “conversa difícil” sobre de quais estados decisivos poderão precisar desviar recursos. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper disputa contra o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano Michael Whatley para suceder Tillis, que está se aposentando. Em Ohio, o ex-senador Sherrod Brown desafia o senador republicano Jon Husted, atualmente no cargo. Ambas as corridas são consideradas imprevisíveis e serão decisivas para determinar quem controlará o Senado em novembro. “Será menos na Carolina do Norte, onde o candidato deles já está atrás?”, perguntou French. “Menos em Ohio, onde eles investiram uma quantia astronômica de dinheiro, sinalizando preocupação com Husted?” Paxton dominou uma eleição com baixa participação Trump pode interpretar a vitória de Paxton como prova de que escolheu o candidato certo, mas o eleitorado da eleição geral será muito diferente do restrito grupo republicano que participou do segundo turno. Paxton se beneficiou da baixa participação, vencendo com menos de 900 mil votos. O número ficou bem abaixo da participação nas primárias republicanas e democratas de março. Mais de 2 milhões de democratas votaram, incluindo mais de um milhão em favor de Talarico. Sem Trump na cédula, alguns eleitores podem optar por ficar em casa no outono ou deixar em branco o principal cargo da votação, enquanto Talarico busca conquistar independentes e republicanos mais moderados.
Vitória de Paxton no Texas cria riscos para Trump e Partido Republicano
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