O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, derrotou na noite de terça-feira o senador John Cornyn, que ocupava o cargo havia quatro mandatos, conquistando a vitória no segundo turno pela indicação republicana do Estado ao Senado dos EUA, impulsionado pelo apoio do presidente Donald Trump, segundo projeções da imprensa americana. A vitória foi declarada logo após o fechamento das urnas nos condados mais a oeste do Texas, que estão em um fuso horário diferente da maior parte do Estado. “Sem sombra de dúvida, serei o alvo número 1 dos democratas em novembro”, disse Paxton em seu discurso de vitória. “O Texas será a prioridade número 1 da esquerda radical, mas não vamos deixá-los tomar o Estado.” A vitória de Paxton forçará Cornyn a se aposentar no início do próximo ano — e levará o establishment político republicano em Washington a abraçar um candidato ao qual há muito se opõe. Cornyn, de 74 anos, tinha o apoio da liderança republicana na batalha política mais difícil de sua vida contra Paxton, procurador-geral de 63 anos cercado de escândalos e que recebeu o apoio de Trump na semana passada. Paxton enfrentará o deputado estadual democrata James Talarico em uma disputa de grande repercussão que pode ajudar a definir o controle do Senado e se tornar uma das eleições mais caras da história dos Estados Unidos. O democrata de 37 anos é seminarista presbiteriano e um dos principais arrecadadores de recursos do partido, cuja campanha tem atraído eleitores independentes e moderados. Apoiadores de Paxton rapidamente atacaram comentários anteriores de Talarico sobre um Deus não binário e a existência de seis sexos biológicos, com Paxton e o presidente do Comitê Nacional Republicano o chamando de “aberração”. O braço de campanha dos republicanos no Senado alertou, em um memorando interno no ano passado, que uma candidatura de Paxton “daria aos democratas uma oportunidade de vencer no Texas e obrigaria os republicanos a desviar centenas de milhões de dólares que, de outra forma, seriam gastos para vencer em Estados-chave disputados”. Cornyn disse a apoiadores que apoiará a chapa republicana em novembro. “Tenho dito ao longo desta disputa que confio nos eleitores do Texas, e eles tomaram sua decisão, que devo respeitar”, afirmou no discurso em que reconheceu a derrota. Os republicanos têm maioria de 53 a 47 no Senado sobre os democratas, que precisariam conquistar quatro cadeiras nas eleições de novembro para assumir o controle da Casa. Os democratas defendem cadeiras em dois Estados vencidos por Trump em 2024 — Geórgia e Michigan —, mas poderiam conquistar o Senado mantendo esses assentos e com vitórias na Carolina do Norte, Maine, Ohio e Alasca. Uma disputa competitiva no Texas, onde nenhum democrata vence uma eleição estadual desde 1994, poderia facilitar o caminho do partido para obter maioria e potencialmente forçaria os republicanos a redirecionar investimentos de Estados mais competitivos para proteger seu candidato em um Estado que Trump venceu por quase 14 pontos percentuais em 2024. Ao apoiar Paxton, Trump escolheu a lealdade em vez da capacidade eleitoral, enquanto continua demonstrando seu forte controle sobre o eleitorado republicano. Neste mês, o apoio de Trump a desafiantes nas primárias republicanas levou à derrota de políticos em exercício, incluindo o senador da Louisiana Bill Cassidy e o deputado do Kentucky Thomas Massie. Paxton sofreu impeachment pela Câmara do Texas, foi indiciado por fraude criminosa, denunciado ao FBI por seus principais assessores e está se divorciando da esposa por “motivos bíblicos”, embora negue qualquer irregularidade. Em comunicado conjunto, os senadores democratas Chuck Schumer e Kirsten Gillibrand afirmaram que “os republicanos estão diante de seu cenário de pesadelo”, enquanto os democratas se aproximam da conquista da maioria. Lauren French, porta-voz do comitê democrata Senate Majority PAC, disse que a vitória de Paxton foi uma derrota para os republicanos de Washington, que gastaram quase US$ 100 milhões em favor de Cornyn. “Atualmente, até membros do próprio partido dizem que Paxton é corrupto e problemático demais para o Texas. Agora ele é o porta-estandarte do Partido Republicano”, afirmou. “Boa sorte com isso.” Talarico inicia a eleição geral com uma vantagem de três meses de campanha após derrotar a deputada federal Jasmine Crockett em 3 de março. Em um novo vídeo de campanha divulgado na noite de terça-feira, Talarico disse: “O político mais corrupto dos EUA acaba de se tornar o candidato republicano ao Senado.” A vantagem inicial de Talarico nas pesquisas evaporou, e o levantamento mais recente mostra a disputa empatada tecnicamente com Paxton, com 8% dos eleitores prováveis ainda indecisos. A campanha de Cornyn atacou o caráter de Paxton desde o início, inclusive chamando-o de “Ken, o Corrupto” e lançando um jogo de encontros que permitia aos usuários deslizar fotos de supostas amantes do procurador-geral. Paxton pediu que Cornyn encerrasse os anúncios negativos “pelo bem do nosso partido”. “Já alteramos nossa estratégia de anúncios na TV ... para garantir que nossa campanha termine de forma positiva (para que) possamos focar em derrotar o lunático esquerdista no outono”, escreveu Paxton no X na semana passada. Eleitores em todo o Estado também escolheram seus candidatos em mais de uma dúzia de distritos eleitorais para a Câmara, incluindo o 35º distrito da região de San Antonio, uma vaga aberta que os democratas esperam conquistar. O veterano da Força Aérea dos EUA Carlos De La Cruz, apoiado por Trump, derrotou o deputado estadual republicano John Lujan. O candidato preferido dos democratas também venceu. Johnny Garcia, porta-voz do xerife do condado de Bexar, Javier Salazar, derrotou Maureen Galindo, uma candidata marginal amplamente condenada por comentários antissemitas. Garcia venceu apesar de um comitê político alinhado aos republicanos, o Lead Left PAC, ter gastado quase US$ 1 milhão impulsionando Galindo. 27/05/2026 08:11:44